Vidas Entrelaçadas (Couture, 2025) é um filme de drama franco-estadunidense escrito e dirigido por Alice Winocour, que acompanha a existência das mulheres por traz de todo o aparente glamour da reluzente da Paris Fashion Week e os bastidores da alta costura.
Aqui acompanhamos a vida de três mulheres: Maxine (Angelina Jolie), uma cineasta americana que chega a Paris para dirigir um curta ligado a um desfile e recebe um diagnóstico de câncer de mama; Ada (Anyier Anei), uma jovem modelo sul-sudanesa tentando sobreviver à brutalidade elegante da indústria da moda; e Angèle (Ella Rumpf), maquiadora e aspirante a escritora, esmagada pela lógica de bastidor onde todos brilham menos quem sustenta o brilho.

O grande acerto de Vidas Entrelaçadas está em como Winocour não faz da maior semana de moda do mundo ser apenas um espetáculo visual, consumista, glamouroso e vazio. Ela obteve um acesso inédito ao ateliê da Chanel e isso não resume a história a um endeusamento do luxo e do que a marca representa. Couture, em francês Coutures, significa alta costura. Tudo o que remeta à alta costura é a exclusividade e a forma como cada coleção é idealizada e feita sob medida em unidades limitadas para remeter à exclusividade, só que o filme mostra o que é tudo isso por trás das cortinas, onde luxo aqui não seduz, ele sufoca.
A história de Maxine faz com a atuação de Jolie seja bastante significativa, tendo em vista sua história pessoal com o diagnóstico de câncer de mama. Aqui não temos uma atuação que quer pescar o Oscar, é uma coisa mais contida, mais silenciosa, passando exatamente o que precisa ser passado: uma mulher que teve sua vida virada de cabeça para baixo e precisa manter a compostura porque o mundo lá fora não se importa com o que se passa na sua vida, desde que você continue servindo o que você veio para servir.
E é sobre o que é esse filme. Não é sobre glamour, não é sobre moda, não é sobre o luxo, sobre exclusividade. É sobre como as mulheres não têm o direito de desmoronar se querem ser respeitadas e manterem sua reputação profissional. Mulheres no mercado de trabalho não têm o direito de serem humanas.

Apesar de tudo isso, o roteiro falhou em explorar as outras duas protagonistas. Ada tinha um potencial enorme para ser explorado na trama, com toda a trajetória migratória dela e os custos da sua representatividade naquele mundo. O mesmo para Angèle, que sua ambição artística não é levada a lugar algum. Basicamente, faz a história girar em torno da personagem da Angelina.
Esse é um filme sobre corpos femininos e em como eles são explorados, mas o problema é que falta sentimento. É como se a fixação em manter a elegância deixasse tudo sem emoção. É um drama tão controlado que não consegue emocionar. Parece artificial e talvez seja exatamente o que a diretora queira: mostrar o quão engessado e rígido esse universo é.
Vidas Entrelaçadas chegou aos cinemas no Brasil em 16 de abril, distribuído pela Synapse Distribution.
NOTA: 3,5/5