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CRÍTICA | “Oppenheimer” intenso e exaustivo, mas um dos melhores trabalhos visuais de Nolan

 “Agora me tornei a morte, o destruidor de mundos”. Chega aos cinemas nesta quinta-feira (20) a história de uma das personalidades mais emblemáticas da história da humanidade, mas – que ao mesmo tempo – ainda é anônima para grande parte da população mundial. Com a direção de Christopher Nolan, “Oppenheimer” carrega em suas 3 horas de duração uma história que vai além de cobiça e poder, mas, sim, sobre até que ponto sacrificaremos nossa humanidade.

O filme histórico é baseado no livro biográfico “Prometeu Americano: O Triunfo e a Tragédia de J. Robert Oppenheimer”, escrito por Kai Bird e Martin J. Sherwin, mas irei me abster de comparações literárias ou históricas e irei me atentar somente a produção da Universal Picutres.

Em “Oppenheimer” acompanhamos a vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), um físico teórico  que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas. A trama acompanha o físico e um grupo formado por outros cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945. 

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Com uma das abordagens mais dramáticas e com um certo tipo de complexo de grandeza (para combinar com o tópico principal), Nolan decide contar a história em três partes claras ao espectador. Iniciando com a apresentação do protagonista, levando quase uma hora para estabelecer sua personalidade e impacto dentro de sua comunidade que ele pertence. Seguido pela criação da bomba e todo peso que ela traz consigo na consciência do físico. E, por fim, uma trama de traição que levou ao fim da reputação de Robert.

Outro ponto para a construção da narrativa se dá visualmente, em uma transição que vai de cores, com a perspectiva de Oppenheimer (Murphy), e preto e branco, com a de Lewis Strauss (Robert Downey Jr), personalidade vital para o direcionamento da história. Inicialmente a montagem das cenas e a escolha de exibir épocas distintas em sequências pode confundir a audiência, mas ao menos no fim é possível entender o propósito das migalhas que recebemos de um futuro conturbado inicialmente.

Um tópico que me incomodou bastante se dá através de alguns momentos em que o filme pressupõe que a história é de conhecimento comum e se omite em informações a respeito de certos personagens ou momentos históricos, tornando o longa um pouco prepotente. Assim, fica no ar o sentimento que a obra pode funcionar com mais intensidade e relação com os habitantes dos EUA, tornando-o algo mais nichado do que esperávamos ser.

Oppenheimer Official Website: Explore Los Alamos | SYFY WIRE

Quando se é observado os aspectos mais técnicos não resta dúvida quanto a qualidade exímia da obra. Além das imagens inacreditáveis retiradas de uma explosão real, o diretor usa ao seu favor para construir uma experiência imersiva os sons mais íntimos e singelos que realizam um contraste com a dimensão majestosa do longa. Ludwig Göransson, responsável pela trilha sonora original, contribui para algo espetacular, que faz do filme uma experiência única e necessária a ser vivida pelos amantes da sétima arte.

Em contrapartida, o roteiro de Nolan carrega consigo vícios presentes na carreira do cineasta. O diretor, que também é roteirista aqui, tem déficit em criar emoção e personagens que mereçam a empatia do público. Infelizmente, isso se estende as suas personagens femininas que tem seu papel diminuído e restrito a apelo sexual ou personalidades explosivas.

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Cillian Murphy vive um homem amargurado e atormentado pelos fantasmas das consequências de suas ações. Controverso e enigmático, o ator consegue ser impactante e se destaca entre o elenco de celebridades.  Além de Cillian, o elenco também traz nomes como Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Gary Oldman, Jack Quaid, Gustaf Skarsgård, Rami Malek e Kenneth Branagh. 

Apesar da primeira hora ser um pouco mais difícil de ser digerida, as duas horas que a sucedem passam num piscar de olhos. A trama constrói (depois de 1 hora e  30 minutos de duração aproximadamente) uma dinâmica em sua narrativa que mantém o espectador vidrado em tramas conspiratórias e o peso da culpa de mudar drasticamente (e para pior) a trajetória da humanidade. Ainda assim, saliento e lhe dou uma sugestão: vá ao cinema preparado para uma história que pode ser muito cansativa e desgastante.

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Por fim, chego a conclusão que é inegável que o cineasta se aproveita de artimanhas visuais e sonoras para se sobressair e seduzir o espectador com a magia da experiência do cinema. Já que ele apresenta friamente uma história que comete deslizes familiares. Talvez, esse seja o filme que marque a maior decisão que o diretor deve tomar na sua vida: se afastar das páginas do roteiro.

Com “Oppenheimer”,  Nolan inevitavelmente replica o feito de seu protagonista e se eterniza na história. O cineasta sabe fornecer um direcionamento mais inédito, ao ponto que – mesmo sendo um fato histórico – ele consegue montar as sequências dos fatos surpreendentemente com reviravoltas e um final de destruir a esperança de um futuro melhor. 

Nota: 3,8/5

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