Construindo um legado no cinema desde 1996, o sétimo filme da franquia de sucesso estrelada por Tom Cruise, “Missão Impossível – Acerto de Contas Parte I” chega nos cinemas nesta quinta-feira (13) com uma história que acompanha os avanços tecnológicos da época em que está situado, ao tempo que se reafirma como um filme de espionagem digno dos clichês e artimanhas já explorados em suas produções antecessoras.
Dirigido por Christopher McQuarrie, o longa traz Ethan Hunt (Tom Cruise) e a equipe do IMF formada por Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames) em uma missão inédita: eles devem rastrear uma nova e aterrorizante arma que, se cair nas mãos erradas, pode representar uma ameaça para toda a humanidade. Além disso, Ethan ainda é confrontado por um novo inimigo misterioso e muito perigoso, e é forçado a aceitar que, para completar o desafio, nada pode importar mais do que a missão – nem mesmo sua própria vida. (*)

Com 2 horas e 43 minutos de duração, “Missão Impossível – Acerto de Contas Parte I” é apresentado ao público da forma mais clássica que um filme de espionagem pode ser executado. Sua cena inicial é regada de adrenalina e momentos que à principio podem deixar o espectador confuso propositalmente, a história já nos concede em seus minutos iniciais uma amostra da maior ameaça enfrentada pela equipe até o momento.
Um dos maiores destaques desta produção certamente é esse… o vilão. E não digo a respeito do ator Esai Morales, a nova adição ao elenco. Desta vez, me refiro a inteligência artificial que se chama “Entidade“. “Missão Impossível” é uma franquia que reflete alguns pontos da sociedade conforme à época de seu lançamento, e nada melhor que trazer I.A em tempos de Chat GPT e robôs ultrarrealistas que são capazes de falar com humanos.

Além de ser atual, o grande antagonista, que apresenta uma das maiores ameaças que a franquia já viu, é inteligente, irreverente e um frescor inédito à franquia. Ainda assim, vale ressaltar que – além do vilão – o filme não inova e replica os moldes dos seus antecessores. Em determinados momentos fica previsível o rumo que o filme irá tomar, ainda assim, a direção de McQuarrie e o protagonismo de Cruise não fazem a previbilidade se transformar em algo entediante e nos rende, ao menos, um divertimento que somente Missão Impossível pode entregar.
Muitos podem dizer que a cena inicial ou a final (a tão esperada cena da moto no trem) sejam os grandes destaques da ação de espionagem do longa, todavia cabe a mim discordar e afirmar que a sequência do aeroporto é um dos grandes ápices que a trama constrói, seja em criar momentos tensos ou na direção inesperada que este momento nos proporciona. A cena do aeroporto não é só responsável por apresentar dois novos personagens, mas também para trazer a dinâmica já conhecida da equipe e nos entreter com técnicas de espionagens que nunca vão envelhecer mal.

Hayley Atwell é um dos novos rostos apresentados em “Missão Impossível – Acerto de Contas Parte I“. Uma golpista esperta e com a malícia de Ethan, a personagem nos relembra de outras mulheres que passaram pela franquia e nos faz questionar se os filmes de Tom Cruise sempre seguirão e mesmo molde narrativo. Ao menos, a participação da atriz fez com que o filme ganhasse um tom mais cômico sem perder a mão no excesso, deixando com um humor bem pontual e condizente dentro das cenas apresentadas.
Quando observamos o restante do elenco, ainda bem, não há absolutamente nada de negativo a se falar. Os membros da equipe IMF compartilham de um entrosamento construído perfeitamente ao longo dos anos, enquanto Rebecca Ferguson retorna como Ilsa e nos entrega uma das melhores personagens femininas que já passaram pela franquia.

Com locações de tirar o fôlego nas ruas de Roma, em Veneza ou nas áreas montanhosas da Noruega, a fotografia de “Missão Impossível – Acerto de Contas Parte I” se destaca em ambientes abertos e traz um dos melhores trabalhos visuais de toda franquia. Elevando a qualidade técnica, a ação também acompanha os avanços da fotografia e trabalha em conjunto, rendendo a nós espectadores cenas inacreditavelmente surreais e que ficarão marcadas para sempre no cinema.
“Missão Impossível – Acerto de Contas Parte I” não é um filme inédito ou muito original dentro da franquia, mas definitivamente não é uma perda de tempo nem ao menos se tornará esquecível dentre os clássicos. O filme consegue executar muito bem todas as qualidades que a franquia nos presenteou até o momento, eleva a régua da qualidade dos filmes de ação e deixa um trabalho árduo para as próximas produções do mesmo gênero que deverão correr atrás do prejuízo para não serem ofuscados mais uma vez por Tom Cruise.
Nota: 4/5








