A Tribernna assistiu o filme antecipadamente a convite da Diamond Films
Após dominar o mundo da leitura, Taylor Jenkins Reid agora mira no audiovisual. Com mais uma nova adaptação de um de seus livros, a autora agora vê em tela seu drama sobre luto, perdas e recomeços ser contado através de uma protagonista fraca, e, que, talvez seja a maior tragédia de “Amor(es) Verdadeiro(s)“.
No filme acompanhamos a jornada de Emma Blair (Phillipa Soo), que volta sua cidade natal para superar uma grande tragédia. 5 anos lidando com o luto com a morte de seu marido, e agora noiva de Sam (Simu Liu) – seu melhor amigo de infância, Emma se depara com a notícia que seu marido Jesse (Luke Bracey) não morreu e está voltando para casa. Agora, ela deve lidar com a escolha mais difícil da sua vida.

“Amor(es) Verdadeiro(s)” tem um começo promissor, como o livro, aborda o passado e como Emma e Jesse tiveram suas vidas cruzadas. Todavia, nos minutos a seguir os leitores ganham uma surpresa: o filme não segue uma ordem linear dos fatos e começa com a descoberta de que Jesse está vivo e Emma já noiva de Sam. Tudo que acontece entre o período exibido inicialmente e a descoberta é transmitido em tela como memórias ou lembranças conforme os eventos surgem.
Não posso dizer que a escolha dessa montagem foi ruim , mas também não posso dizer que foi a melhor decisão do processo de criação narrativa. Isso, porque, o filme destrói dois grandes momentos ao trazer a história desse jeito: a morte de Jesse e seu retorno. Logo, não tem como o espectador ser pego de surpresa, nem com a decisão final da protagonista, já que a produção não esconde com qual dos dois ela escolherá.

Ainda assim, “Amor(es) Verdadeiro(s)” consegue adaptar bem os acontecimentos do livro. A produção evita criar muita coisa alheia a história original e se atenta aos fatos narrados pela Taylor Jenkins Reid. Um dos grandes pontos positivos, somados a este, é ver a personificação de Jesse através de Luke Bracey. O ator consegue capturar a essência do personagem muito bem, parecendo ter saído das páginas do livro. Todavia, não tem como negar que o roteiro do longa suavizou bastante seu personagem, tirando algumas partes mais podres dessa maça e entregando algo mais bonito e lapidado.
Em contra ponto, temos Simu Liu que consegue trabalhar bem com o que tem a sua disposição. Seu personagem, Sam, é prejudicado pela montagem do filme e não transmite com clareza em tela como é sua relação com Emma, como a ajudou a superar, como foi difícil estarem juntos e como foi lidar com o fantasma do Jesse sempre à espreita. Mesmo prejudicado, Liu não foi o maior defeito do elenco.

“Amor(es) Verdadeiro(s)” traz um tipo de história que dependente inteiramente da protagonista para se fazer entendida e abraçada pelo público. Phillipa Soo fracassa majestosamente em qualquer coisa que se disponha a fazer nesse filme. A atriz não consegue executar o que há de mais essencial no desenvolver da trama: criar uma distinção entre a sua personagem pré-luto e pós luto. Não é possível sentir a dor da decisão difícil porque pra ela tudo é muito fácil, não há emoção, não há conflitos, nem dores. Soo é um dos maiores fiascos dessa produção.
Acompanhada de sua performance (ou a falta dela) há inúmeros problemas mais técnicos que dariam uma dissertação de conclusão de curso. Um deles é a trilha sonora! Brega e interminável, a música não consegue achar seu timing, atrapalha cenas, fica enjoativa e transforma momentos importantes em galhofas bregas. Há de mencionar também como a produção parece ter parado no tempo, os sets escolhidos, bem como as capturas de imagens, parecem ter saído de uma série da CW dos anos 2000. Esse combo de decisões duvidosas fazem o filme se assemelhar a obras de baixo orçamento.
A verdade é que “Amor(es) Verdadeiro(s)” realmente tenta ser uma boa adaptação ao seu material de origem, as cenas estão ali, os diálogos estão ali, mas a execução é um desastre gradativo. O começo empolga, mas conforme os atores apresentam seus personagens o desânimo se torna inevitável. É claro que o filme consegue criar momentos isolados emocionantes, mas como um todo é decepcionante porque não é de todo ruim, nem de todo bom… apenas esquecível.
O filme ganhará sessões antecipadas a partir de 11 de maio em alguns cinemas. Sua estreia oficial acontece no dia 18 de maio.
Nota: 2/5








