Esse texto não contém spoilers
Ligados por um rádio, se comunicando com 20 anos de diferença, até descobrirem algo que mudariam o rumo de sua vida para sempre. “Ditto” traz fantasia, drama e romance em uma história bem construída, visualmente bonita que honra seu material de origem.
Dirigido e escrito por Seo Eun-Young, o longa sul-coreano foi lançado em novembro de 2022 abordando a história de Kim Yong (Yeo Jin-Goo), um estudante de engenharia mecânica vivendo seu primeiro amor em 1999. Até que ele consegue se comunicar através de um rádio com Kim Mu-Nee (Cho Yi-Hyun), uma estudante de sociologia em 2022.

O filme carrega consigo uma construção narrativa envolvente e nos apresenta os personagens de modo que é impossível não nos apegar às suas histórias. Yeo Jin-Goo consegue conduzir toda trama com carisma e empatia. Sua história acaba sendo relacionável devido aos seus sonhos frustrados e a forma insegura que lida com os problemas do coração. Já Cho Yi-Hyun se perde um pouco em seu propósito, ela acaba funcionando bem apenas como uma entrevistadora, impulsionando, motivando e ouvindo seu parceiro de rádio. Tudo que foge disso é irrelevante e não traz o espectador mais próximo de seu personagem.
A caracterização dos dois períodos é muito significativa e de fácil distinção, ao tempo em que nada é tão forçado e estereotipado. Seja em figurino ou na ambientação, os detalhes de cada época fazem diferença e proporciona uma imersão maior a trama.
O drama é muito bem colocado, no entanto parece – em alguns momentos – apressado em exibir os fatos. O próprio acontecimento dos dois terem descoberto que são de épocas diferentes é apresentado rápido, não insere um suspense nem a descrença entre os personagens, que são facilmente convencidos dessa proeza. O plot twist final, por outro lado, é bem desenvolvido. Há uma certa lógica em suas atitudes e o resultado final do longa nos rende a sensação de que tudo deveria acontecer como aconteceu.

Como mencionado no título, Ditto é um remake. E eu não poderia fazer essa crítica sem mencionar o original. Lançado em 2000, a primeira versão é muito mais poética e significativa do que o seu remake. Apesar do novo longa ser uma ótima adaptação, atualizando para os dias atuais, a produção se aproxima muito mais de uma montagem de k-dramas do que de um filme dessa magnitude. Ao contrário do seu antecessor, que tem uma direção mais íntima, que conversa com sub textos e significados implícitos nas atuações dos protagonistas.
A primeira versão de Ditto aposta mais em emocionar do que chocar, sua fotografia é aconchegante e sua trilha sonora é exuberante. Tudo que ele propõe é hipnotizante, e fica difícil algo superar isso. Apesar de ter um final agridoce, toda sua proposta nos conduz para isso, para um melodrama que nos renderá lágrimas ao fim – mas, também, diversas lições. Kim Ha-Neul e Yoo Ji-Tae trabalham em conjunto com mais química e dinâmica, suas duas histórias funcionam tanto individualmente como em um todo. Não há nada negativo a se falar sobre suas performances, porque não existe defeito algum.

Apesar de não superar o material original, Ditto é um excelente remake. Consegue atualizar a história para os moldes atuais, de modo que converse diretamente com a audiência da nova geração, além de inserir elementos narrativos que solucionam alguns furos na história. Constrói um drama-fantasia com a mesma essência de seu antecessor e nos rende uma história que é simplesmente imperdível – daquelas que você vai querer recomendar para todos seus amigos.
Você encontra a versão de 2022 em fansubs online, enquanto a versão de 2000 está disponível no MUBI.
Nota: 4/5








