A Tribernna assistiu o filme antecipadamente a convite da Paris Filmes
O que é mais importante para um filme? Eu parto do princípio que, para um filme de ação me conquistar, ele precisa, pelo menos, ter cenas de combate bem coreografadas. Neste quesito, “John Wick – Baba Yaga” chega ao ápice da franquia. O longa é visualmente lindíssimo e interessante, mantendo o espectador preso nas cenas de ação.
Por outro lado, um filme com quase três horas de duração precisa de mais do que apenas cenas bem coreografadas para se sustentar durante todo o seu tempo de exibição. Infelizmente, em termos de história, “John Wick – Baba Yaga” deixa a desejar, parecendo compensar o confuso roteiro com a apresentação de personagens bem interessantes, como ‘Rastreador’ e ‘Caine’, que serão melhores falados mais abaixo.
Dito isso, reforço: a ideia de ter um filme de ação com boas lutas – e não apenas tiroteios – nunca falha, mas é preciso saber construir uma história se existe a intenção de prolongar o universo, que chegou ao seu quarto capítulo.

O filme já não é uma sequência exata, como acontece no segundo e no terceiro longa, mas ok. No fim de John Wick – Parabellum, o terceiro capítulo da franquia, o protagonista é baleado e cai de um prédio, então faz sentido ele ter um tempo para se recuperar e se preparar para aquela que parece ser a sua mais épica jornada.
No entanto, quando o ‘vilão’ deste filme é apresentado, mesmo com o cenário lindíssimo de obras de arte etc. – seguindo mais ou menos a mesma ideia do antagonista do segundo filme da franquia) – algo pareceu estranho. Nem mesmo o excelente Bill Skarsgård conseguiu fazer com que o interesse pelo personagem crescesse.
Não vou mentir, a ideia é até bacana, mas contradiz, em termos, a mitologia criada ao longo dos outros três filmes. Apesar de tentar fazer com que o vilão impusesse medo, o antagonista do quarto capítulo da franquia acabou por ser caricato demais, ainda mais mimado do que o vilão do segundo filme e um cara chato, que não chegou nem perto de ser um antagonista de respeito.

Ainda em termos de história, uma das coisas que o quarto filme da franquia errou foi justamente nessas “reciclagens” de padrões dos longas anteriores. Se o novo vilão pareceu inspirado no italiano do segundo capítulo, até mesmo a imagem da “juíza”, a “antagonista” do terceiro filme, foi basicamente reciclada pelo “mensageiro”.
Por fim, como dito acima, o quarto capítulo da épica saga de John Wick apresenta dois novos personagens bem interessantes – com potencial para serem três, mas um não foi explorado. Isso se torna uma grata surpresa, visto que outro carismático e querido personagem deixou a franquia, assassinado, inclusive, pelo Marquês, interpretado por Skarsgård.

‘O Rastreador’, interpretado por Shamier Anderson, era um dos únicos que conseguia seguir Wick, além dele ter um cachorro ajudante – que muitas vezes é colocado à prova, mas sempre salvo (ainda bem, pois desde que adotei a minha filhota eu aboli filmes que maltratam cachorros da minha vida) – e ser bom em armas de fogo. The Tracker, como apresentado no filme, ainda tem um tom de humor muito bom, o que deixa seu personagem muito mais interessante do que o próprio antagonista do longa, mesmo com menos falas.
Já Caine, interpretado por Donnie Yen, não decepciona em nenhum momento. Ele fez um acordo com a Alta Cúpula, sobre o qual não entrarei em detalhes, mas ele é um assassino excepcional, então acaba sendo constantemente utilizado pela Alta Cúpula quando é necessário assassinar alguém, digamos, “difícil”. Todo o tempo ele parece não querer fazer o que tem que ser feito, mas quando está em ação, não decepciona com sua espada.

Caine, para mim, foi a maior e melhor surpresa do quarto capítulo. Se a saga de John Wick parece estar chegando ao fim (eu espero que tenha finalizado), abriram uma oportunidade para a história passada de Caine, e, até mesmo, a futura, ser explorada. The Tracker, por sua vez, também pode render demais. Só peço para que deixem a cachorra de fora disso. Não quero sofrer mais.
“John Wick – Baba Yaga”, para mim, finaliza bem uma excelente saga. Em termos de história, contando os quatro filmes, houve altos e baixos sem dúvidas. No entanto, como eu disse no início do texto, cenas bem coreografadas de ação me convencem demais. Nisso, os quatro capítulos de John Wick vão evoluindo filme após filme, chegando ao seu ápice no quarto capítulo.
O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira, dia 23 de março.
Nota: 3,5/5








