De primeiro momento, é preciso explicar: não conheço a história da internacionalmente conhecida Marilyn Monroe. Sei que ela foi um sexy simbol [em um período completamente machista] e atuou, de forma relevante, em diferentes filmes cultuados até hoje. Fora isso, não sei nada. No entanto, desejo que “Blonde” seja um filme ficcional, pois isso é o que ele merece ser.
Não desmerecendo a história de Marilyn ou algo deste tipo, mas “Blonde” explora apenas as desgraças da vida da atriz estadunidense. Aparentemente, não há nenhuma felicidade em sua vida e, perdão a quem está lendo, mas eu realmente torço para que isto não seja possível.
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Infelizmente, creio que Marilyn Monroe tenha sido submetida aos famosos “testes do sofá”, tenha sofrido assédios e abusos, tenha estado entregue a relacionamentos abusivos. Porém, acho péssimo resumir a vida da famosa atriz a apenas isto. Monroe não foi apenas isto, não foi apenas a filha de uma família disfuncional, desejo sexual e amante de um presidente republicano. Mas “Blonde” faz parecer que ela foi apenas isso.
Se fosse, sinto muito, Marilyn não seria conhecida até hoje, como, de fato, é. Andrew Dominik, o diretor do filme, porém, parece ter um prazer quase sádico em fazer a atriz sofrer na mão de diferentes homens brancos. “Blonde”, infelizmente, é um filme que causa um desconforto extremamente desnecessário (eu, Henrique, sempre que estou inseguro com uma crítica, peço para a minha namorada ler e apontar algumas questões. Desta vez, ela não quis. Disse que “não queria ser submetida a um horror extra ao que o filme a fez passar”).

Até ¾ do filme, eu ainda ponderava se o filme poderia concorrer na “Melhor Direção”, além da “Melhor Atriz” (única categoria que o filme está presente). Porém, parece que Andrew Dominik começa a se perder após o meio do filme, com a qualidade de sua direção caindo de forma vertiginosa, tornando o longa ainda mais desconfortável e desnecessário. Aliás, 2h50min foi extremamente longo para a história rasa e torturante apresentada ao longo do filme. Fora isso, não faço a menor ideia do que era a ‘realidade’ e o que era ‘algo mais’ na história.
Por outro lado, “Blonde” tem um gigantesco ponto alto e constante chamado Ana de Armas. A atriz dá uma aula de atuação que, com certeza, orgulharia a atriz pelo qual se inspira. Ana ri, sorri, sofre, interage e brilha, com o total esplendor da palavra, do início ao fim do longa. Não me surpreenderia caso vencesse o Oscar de “Melhor Atriz” [porém, não acho que vá vencê-lo].

Sinceramente? Para ver e gostar de “Blonde” não é necessário ter estômago ou paciência, mas certo prazer sádico. É preciso não gostar de Marilyn Monroe ou o que ela representou para a indústria do cinema no século XX. É um longa completamente dispensável, desconfortável e afrontoso com a história de uma artista.
Obs.: “Ah, Henrique, arte é para ser desconfortável” – E eu concordo demais. Gosto da arte que causa desconforto, mas que também evoca, no mínimo, uma necessidade de pensar e refletir. “Blonde” passa longe disso.
Nota: 1/5