Como se a puberdade não fosse o suficiente, imagina ter que passar a adolescência vendo fantasmas? A comédia teen do STAR+ entregou uma história que conversa com a geração atual, ao mesmo tempo que referencia produções similares da década de 1990. “Darby: A Jovem Sensitiva” entretém na construção narrativa, mas falha em criar personagens que sabem criar conexão com a audiência.
No longa conhecemos Darby Harper (Riele Downs) uma estudante que passa suas sextas-feiras à noite como mensageira espiritual, aconselhando os espíritos solitários que ainda têm negócios a se estabelecerem na Terra antes da grande viagem. Enquanto seu pequeno negócio está crescendo, tudo muda quando Capri (Auli’i Cravalho), a garota mais popular do ensino médio, de repente morre. Assim, sua versão morta-viva decide pedir ajuda a Darby para resolver suas pendências. É assim que a jovem mensageira se vê tendo que engolir seu orgulho e desistir de seus belos princípios para melhor ajudá-la.

Confesso que, antes de dar play esperava algo similar a Boo, Bitch da Netflix, com elemento fantasmagórico se fazendo relevante dentro da construção narraitva e não apenas como um background. E, apesar de algumas similaridades, ambas obras se mantém uma certa distância. Já que “Darby: A Jovem Sensitiva” parece muito mais uma versão mashup de Meninas Malvadas com a versão mais leve de Sexto Sentido, do que a série mencionada.
Não há muito do que ser exigido neste filme. É uma produção adolescente e retém todas as superficialidades clichês já abordadas anteriormente na história do cinema. Só que agora com a roupagem da geração z que está obcecada pelo estilo dos anos 90. No entanto, para ser suficientemente divertida devia ao menos construir personagens que pudessem ser abraçados pela audiência. O que não foi feito!

Quando observamos Darby sentimos apenas tédio. Apesar de Riele Downs ter se virado como pôde dentro de um papel medíocre, criando sua própria versão da Fleabag, sua personagem é morna e de uma nota só. Nem mesmo quando vivencia sua reviravolta, se tornando popular, não consegue nos convencer de que aquilo realmente a mudou. Tudo que gira em torno de si é previsível, como toda a história, e isso não seria ruim se seus altos e baixos fossem convincentes.
Já a antagonista Capri, vivida por Auli’i Cravalho, vai ao extremo desta reclamação. Apesar de compartilhar o sentido de “uma nota só”, ela permanece como a menina malvada até seus momentos finais. Toda aquela jornada clichê de redenção não acontece aqui. Cravalho vive uma adolescente INSUPORTÁVEL, e tudo que nos resta fazer é torcer que ela vá logo para o lugar ruim.
“Darby: A Jovem Sensitiva” é um bom filme pra matar tempo, uma história bem family friendly que tenta emocionar e divertir, e até consegue em determinados momentos, mas não se garante como um todo diante da construção falha de seus personagens e como não consegue trazer verossimilidade dentro de suas tomadas de decisões.
Nota: 2,7/5








