Bonecos assassinos sempre foram uma sensação dentro do mundo do horror, bem como os robôs que estrelaram clássicos da ficção científica de um mundo distópico. Agora, imagina unir os dois! Com a direção de Gerard Johnstone, “M3gan” faz uma crítica singela a nova geração usuária ávida de tecnologias, enquanto cria um “terrir”, um terror divertido, que tem seus momentos mais tensos, mas também provoca risadas no público.
No longa, conhecemos Cady (Violet McGraw) , uma criança que acabou perdendo seus pais mortos em um acidente de carro e é deixada sob os cuidados de sua tia Gemma (Allison Williams), uma roboticista de uma empresa high-tech de brinquedos de criança em Seattle. Gemma trabalha no desenvolvimento chamado M3GAN, um robô humanoide, designada para ajudar a criança e ser companhia para elas. Logo, ela acaba por presentear M3gan e emparelhado a sua sobrinha. À medida que o tempo passa, M3gan acaba ficando mais independente e andando pela casa sem qualquer ordem, além de matar qualquer coisa que ela considere uma ameaça para Cady.

Como um clássico filme de boneco assassino, nós observamos M3gan gradativamente tomando a narrativa para si, criando uma atmosfera medonha em torno de suas ambições e ações. Com a adição dela ser um robô, sua ameaça se torna mais impactante. Não é uma maldição que a rege, e sim uma inteligência artificial.
Vale salientar que o propósito desse filme não se assemelha a de filmes de terror convencionais. Ele não tenta te assustar com mil jump scares ou provocar uma tensão sufocante. O sub gênero divertido do terror vem para exibir uma realidade não tão distante da nossa, mas elevada ao exagero. Provocando assim, entre risadas e sustos, uma reflexão a respeito da sociedade a qual critica. Todavia, como o sub gênero não se leva a sério, essa crítica não se torna maçante de ser absorvida.

A respeito do desempenho das atrizes protagonistas, é indiscutível que McGraw foi exímia em dar vida a uma criança apática, triste e desolada. Progredindo para uma nova personalidade ao se conectar com M3gan. A transição entre os sentimentos conflituosos e intensos pelo qual a criança está passando é ao mesmo tempo perceptível e natural. A atriz prova que ela é sim um dos maiores nomes dentre a sua faixa etária, atualmente. Não é a toa que com apenas 11 de anos já tenha participado de grandes produções como Doutor Sono e a série A Maldição da Residência Hill.
Por outro lado, quando falamos da performance de Williams é quase um borrão na minha memória. Sua participação acaba sendo descartável e esquecível, diante de duas personalidades com quem ela lida. Não é que a atriz tenha sido ruim, ela só não foi marcante. Preferiu surfar na mediocridade sendo mediana, do que nos impactar.

“M3gan” não é o melhor filme de terror que você vai ver, e, para ser sincera, ele nem tenta se tornar isso. Com uma abordagem simples mas certeira, o longa acaba replicando uma ideia que foi popularizada nos últimos anos no mainstream pelo Black Mirror. No entanto, com sua característica de usar o absurdo de forma cômica, o longa cria uma identidade mais original para si.
Nota: 3,5/5