CRÍTICA | “Os Fabelmans” é um dos filmes mais gentis e queridos de Spielberg

Filme assistido antecipadamente à convite da Universal Pictures

Com mais de 50 anos de carreira, dono de inúmeros clássicos como Tubarão, E.T., Indiana Jones e Jurassic Park, quem imaginaria que Steven Spielberg conseguiria ainda realizar o feito de gerar mais um clássico instantâneo – além de, um dos melhores filmes dos últimos 20 anos de sua carreira?

Revisitando sua infância, Spielberg, além de dirigir, co-escreve o roteiro do filme ao lado de Tony Kushner, através de uma semibiografia, o cineasta utiliza sua infância como inspiração para contar uma história sobre o amor pelo cinema, família e sonhos. Intimista e aconchegante, Os Fabelmans é inteligente, criativo, une o real com a fantasia de modo único ao tempo que destrincha o poder da arte do cinema.

The Fabelmans' review: Steven Spielberg spins his own super-director origin  story | CNN

O filme traz à luz da trama o jovem Sammy Fabelman (Gabriel LaBelle) que se apaixona por filmes depois que seus pais o levam para ver “O Maior Espetáculo da Terra“. Armado com uma câmera, Sammy começa a fazer seus próprios filmes em casa, porém quando o jovem descobre um segredo de família devastador, ele decide explorar como o poder dos filmes nos ajuda a ver a verdade uns sobre os outros – e sobre nós mesmos. (*)

A escolha do elenco, que conta com – além de LaBelle Michelle Williams, Paul Dano e Seth Rogen, foi de suma importância para concretizar a visão de Spielberg na criação desta história. Incluindo o elenco infantil, os demais atores contribuem para uma imersão mais realista dentro da proposta. Transformando assim de fácil compreensão todo universo de paixão pelo cinema, logo, algo mais crível, gerando identificação e compatibilidade com quem é tão apaixonado pela sétima arte.

The Fabelmans: Watch the Trailer for the Upcoming Movie Directed by Steven  Spielberg

A trilha sonora faz com que o filme ganhe uma áurea mais esplêndida. E tudo graças ao mestre, dono das trilhas sonoras mais impactantes do cinema, John Williams. Spielberg e Williams são parceiros de longa data, trabalhando em A Lista de Schindler, Indiana Jones, E.T, Tubarão e Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Por isso dá muito certo, toda dinâmica envolvendo a visão de Williams em criar obras musicais gigantescas, exponenciando o sentimento gerado pela cena, com a visão de Spielberg em trabalhar com os detalhes a favor na narrativa, evidenciando singelos sons como o barulho de uma filmadora – ou o rolo de filme passando. Essa combinação não poderia gerar outro resultado a não ser um dos filmes mais tocantes da carreira do cineasta. 

Quando digo que Os Fabelmans é um dos melhores filmes da carreira de Spielberg não é um exagero. Esqueça as grandes e majestosas obras que o diretor fez em sua carreira, aquelas feitas para vislumbrar e chocar a audiência (e que foram um marco no cinema). Estou falando da peça mais intimista e pessoal de sua carreira, uma obra que fala sobre sua paixão pelo cinema, transparece isso com tanta clareza e esperteza que a sensação que se instaura é que pela primeira vez estamos vendo realmente Steven Spielberg. Suas motivações, suas paixões, seu ídolos e seus receios. E o melhor de tudo é que ele não cria uma distância com a audiência por fazer algo tão pessoal, pelo ao contrário, ele cria uma identificação jamais feita igual em sua carreira.

The Fabelmans' is the stand-out film of the year so far – Fayetteville Flyer

Não se engane achando que o filme é puramente drama, lágrimas, choro e tristeza. O longa contém um humor bem sútil e cotidiano, de modo com que não destoe da sua intenção principal. É quase como se estivéssemos assistindo algo familiar e acolhedor. Até mesmo em assuntos mais intensos, como bullying, carregam consigo uma leveza da espontaneidade das reações dos personagens em tela.

Os Fabelmans conquistou, merecidamente, o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e Melhor Direção. Com tamanha comoção diante deste filme, que parece ter conseguido atingir seu objetivo em cativar, conquistar e tocar públicos diversos, acredito ser uma grande aposta para o Oscar deste ano. E, ainda que não consiga a tão almejada estatueta, acredito que Spielberg já garantiu para si o melhor prêmio de todos: a compaixão e a identificação do público gerada após os créditos finais.

O filme estreia hoje (12) nos cinemas brasileiros.

Nota: 5/5

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