Home / Manoel / CRÍTICA | “Skinamarink” é uma palavra sem sentido e um filme sem propósito

CRÍTICA | “Skinamarink” é uma palavra sem sentido e um filme sem propósito

Skinamarink (sem tradução) é um filme canadense de horror, dirigido por Kyle Ball e lançado no dia 25 de julho de 2022. O filme demorou para engrenar, mas eventualmente chegou nos holofotes por conter uma trama estranha, um estilo único e causar sensações extremamente variadas. É importante ressaltar que explicar qualquer fato sobre o filme pode ou não ser considerado spoiler, principalmente pela identidade única dele.

Em um ano recheado com títulos de terror como X, Pearl, Pânico (2022) e Nope, Skinamarink se propõe a mostrar uma visão diferente do horror, sem uma história muito marcante e com uma produção que se assemelha mais a um curto caseiro que a um filme proporção cinematográfica. Filmes de terror sempre possuíram um senso de “baratez” com alguns dos maiores do gênero sendo feitos com orçamentos quase impraticáveis, como A Bruxa de Blair, Evil Dead – A Morte do Demônio, entre outros clássicos.

No longa canadense, acompanhamos uma noite (ou seria um pesadelo?) dos irmãos Kevin (Lucas Paul) e Kaylee (Dali Rose Tetreault). Ambos acordam de madrugada, exploram a casa e descobrem duas surpresas: seus pais não estão em casa e a casa não possui mais portas e janelas. Além disso, uma presença misteriosa começa a falar com as crianças e fazer com que elas vivam experiências assombrosas.

Skinamarink-2

Se você espera que eu fale mais sobre o enredo pra entender melhor do que o filme fala, pode ficar relaxado, não existe mais enredo para fora dessa base. Uma história sem complexidade e sem diálogos não necessariamente faz um filme se tornar. Alguns dos melhores filmes que já vi se privam de diálogos para focar em outros aspectos narrativos. Skinamarink se priva dos diálogos e esquece que precisa compensar essa falta com algum outro fator.

É sim possível sentir pavor pelas crianças, e tenho certeza que quem gostou do filme conseguiu sentir empatia com os personagens, mas não foi o meu caso. A falta de diálogos, personalidade e mesmo atitude das crianças fez com que eu desumanizasse elas (até porque o próprio diretor faz isso ao longo da trama). Kevin e Kaylee são folhas em branco para uma história de terror de primeira categoria, só faltou juntar as duas peças e escrever nessa folha limpa.

Skinamarink-01

Outro problema sério do filme são as escolhas visuais dele. Kyle Ball decidiu gravar tudo com material analógico e que causa a impressão de estar assistindo a uma filmagem caseira vinda diretamente dos anos 1990. Seria um estética assustadora se o diretor também não tivesse decidido gastar pelo menos dois terços do filme mostrando cantos de parede, teto e uma televisão velha. Chegava a ser risível a quantidade de tempo de filme gasta com cenas estáticas apontando para cantos vazios e sem movimento.

Essas escolhas visuais não foram de todo mal, principalmente levando em consideração a quase história que Ball conta ou desejava contar. Todo o longa tem uma imagem que parece menos uma vivência e mais um pesadelo extremamente vívido. É interessante pensar no filme como um pesadelo de uma criança, e talvez quem sofre com pesadelos ou já tenha tido tipos parecidos quando mais novo pode entrar na história e vivenciar um terror ainda mais genuíno. Não foi o meu caso.

O que posso falar mais do filme é que existe uma possibilidade que eu tenha assistido errado. Talvez se eu tivesse assistido durante a madrugada em um quarto completamente escuro eu teria entendido mais na estética. Talvez se eu comprasse um fone melhor para entrar mais na cena conseguiria compreender melhor cada nuance da sonoplastia. Talvez se eu tivesse conseguido entender melhor a visão artística do diretor eu teria achado um dos melhores filmes de terror do século XXI. Porém a opinião que eu tenho é simples: você não pode exigir do telespectador que ele tenha todas as condições adequadas e ideais para entrar no mundinho criado.

66GlGMF7GwmieuZ6_sL2_Aay8hiANt42PkUVNfnAMlI (1)

Skinamarink pediu de mim mais do que eu estava disposto a oferecer, e acredito que tenha sido minha maior decepção do ano em relação a filmes de terror. Talvez você possa amar depois de assistir às 1h40min de quinas de parede e portas fechadas. Eu sinto apenas que perdi tempo precioso de vida com um filme que não quer me dizer nada.

Nota: 2/5

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *