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CRÍTICA | 1ª temporada de “Wandinha” coroa 2022 como o ano dos góticos!

Esta crítica não contém spoilers.

Sombria e fofa, Wandinha (Wednesday, 2022), a nova série de fantasia da Netflix estreou na última quarta (23). A série é uma comédia de terror com 8 episódios, criada por Alfred Gough e Miles Millar, dirigida por Tim Burton (os quatro primeiros episódios).

A Família Addams foi criada pelo cartunista Charles Addams na década de 1930 como uma sátira ao modelo perfeito da família americana, com um marido completamente apaixonado e rendido pela sua esposa, que não tem medo de demonstrar seus sentimentos, com uma família peculiar e de gostos sombrios, estranhamente feliz. Os Adams se tornaram verdadeiros ícones da cultura pop e da subcultura gótica e foram adaptados em formato de série de TV nos anos 1960, animações, tem dois filmes live-action da década de 1990, jogos e uma animação 3D.

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Protagonizada por Jenny Ortega, Wandinha gira em torno da filha de Morticia e Gomez, uma adolescente de 16 anos que vai para uma escola especial, onde pessoas como ela, os “excluídos”, estudam e aprendem a lidar com quem são. Em Nunca Mais, Wandinha vai ter que aprender a conviver com outros adolescentes, dividir quarto com uma colega que é seu completo oposto e lidar com seus sentimentos sobre seu poder, sua família e a sociedade ao redor. Tudo isso regado a muito humor mórbido e sarcástico e ainda incluindo investigação criminal. O desenvolvimento pessoal da Wandinha e a forma como ela lida com seus sentimentos e seus objetivos é incrível.

Mesmo com toda a morbidez da série, é incrível como tudo é engraçado e bizarramente fofo, encaixando perfeitamente numa história cativante e divertida. A Wandinha é a protagonista suprema, tudo gira em torno dela, por isso não vemos tanto da sua família. Por mais que queiramos ver mais de Catherine Zeta-Jones e Luis Guzmán como Morticia e Gomez Adams (que estão perfeitos nos poucos episódios que aparecem), a série não é sobre eles e está tudo bem! A Jenny Ortega sustenta muito bem sozinha a responsabilidade de ser o centro da série, não deixando nada a desejar como Wandinha.

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E não é porque a série é sobre a Wandinha, que não temos dramas secundários interessantes. Temos as histórias da época que Gomez, Mortícia e a diretora Larissa Weems (Gwendoline Christie) frequentaram Nunca Mais, as lendas locais e as histórias de alguns dos colegas de aula da Wandinha. Todas feitas de forma que se encaixassem sem tirar o brilho da história principal. Pode até parecer que foi falta de desenvolvimento dessas histórias, mas a própria Wandinha admite que ela é egoísta e que tudo gira sim em torno dela, então esse não aprofundamento é proposital, afinal, são apenas 8 episódios.

A produção da série é muito boa. Toda a ambientação sombria e trevosa, os figurinos incríveis da Wandinha, a maquiagem e a trilha sonora, encaixam perfeitamente na série. Até os efeitos visuais das criaturas, que não são dos melhores, combinam. É como se estivéssemos vendo os filmes da década de 1990 e a série dos anos 1960 repaginados. Tem um baile no 4º episódio em que vemos a Wandinha dançar não se importando com o que os outros vão pensar dela, muito parecida com os episódios da série onde vemos a pequena Wandinha dançar com a mãe. É uma das partes mais lindas da série.

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Mesmo que possa parecer que Wandinha é uma série adolescente clichê e superficial, feita de uma mistura de O Mundo Sombrio de Sabrina com Harry Potter (ou insira qualquer série de fantasia com escola aqui), não é isso que acontece. Mesmo que seja sim uma série adolescente clichê de fantasia, não há nada de errado com isso. Já existem séries adolescentes sérias o suficiente e isso não quer dizer que essa ruim ou malfeita. Depois de The Batman (emo) e Sandman (gótico), podemos afirmar que a subcultura gótica retornou com tudo em 2022.

Wandinha é mórbida e divertida, nos deixa aflitos em muitas situações e nos surpreende com o desenvolvimento da protagonista, terminando com um gostinho de quero mais e um gancho para uma segunda temporada. Até o momento, nada foi confirmado sobre uma nova temporada.

NOTA: 4/5
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