CRÍTICA | “Enola Holmes 2” mantém o ritmo do seu antecessor e é tão divertido quanto

Enola Holmes 2 (2022) estreou na Netflix na última sexta (04) e é a continuação da história de Enola, a irmã mais nova de Sherlock e Mycroft Holmes. Ao contrário do primeiro, esse segundo filme é baseado nos personagens da série de livros de mistério de mesmo nome de Nancy Springer, mas não adapta nenhum livro específico da série.

A direção de Harry Bradbeer continua e temos Millie Bobby Brown (Enola), Henry Cavill (Sherlock), Helena Bonham Carter (Eudoria), Louis Partridge (Tewkesbury), Susie Wokoma (Edith) e Adeel Akhtar (Lestrade) retornando nos seus papéis do primeiro filme.

O filme anterior termina com Enola resolvendo o mistério envolvendo as tentativas de assassinado contra Tewkesbury (Louis Partridge), herdeiro de Basilwether, e montando a sua própria agência de investigação particular. Nesse segundo filme, Enola lida com as dificuldades de ser mulher e jovem demais para passar credibilidade como investigadora. Quando ela resolve fechar seu escritório por dificuldades financeiras, ela recebe o pedido de ajuda de uma garotinha que está procurando por sua irmã desaparecida e é aí que a trama cheia de fios ligada a vários outros fios vai se desenvolver e unir Enola a outras pessoas nessa busca pela verdade. Apesar de Enola significar “sozinha” em inglês e ela se dar muito bem sozinha, é quando ela se une com seus aliados que ela se torna ainda mais extraordinária.

“Encontre seus aliados. Trabalhe com eles e você vai se tornar cada vez mais você. Vocês vão falar em uma só voz e vão fazer mais barulho do que você poderia imaginar.”
– Eudoria para Enola.

Esse novo filme é um pouco mais longo que seu antecessor, mas mantém as características do filme anterior. Então temos a mesma fórmula com comédia, a quebra da quarta parede, o ritmo frenético de acontecimentos da história e mantém as cenas de lutas com mulheres enfrentando mano a mano homens que não hesitariam em machucá-las ou até mesmo dar fim em suas vidas. Elas não são indefesas e estão cientes de que com inteligência e técnica, podem tudo.

Nesse filme temos mais romance. Há envolvimento romântico entre personagens da trama e o desenvolvimento romântico entre Enola e Tewkesbury. Mesmo que o foco da história não seja romance, é muito bonitinho ver a interação dos dois e como ambos estão claramente apaixonados um pelo outro. Enola não é uma boba apaixonada que vai colocar o romance na frente dos seus objetivos, mas também não vai ignorá-lo. É um romance adolescente (ambos têm por volta de 16, 17 anos) muito fofinho.

Também temos um protagonismo maior do Sherlock Holmes (Henry Cavill), irmão mais velho de Enola. Ele reconhece que precisa de ajuda e não hesita em pedir. Dessa vez, a trama dos dois se une por um caso em comum, quando a investigação dos dois acaba chegando aos mesmos suspeitos. Ver como a mente dos dois funciona da mesma forma e como eles trabalham bem juntos é bem gostoso de acompanhar.

Sherlock Holmes (Henry Cavill), Enola Holmes (Millie Bobby Brown) e Tewkesbury Marquês de Basilwether (Louis Partridge). Netflix (2022).

Todos os atores estão muito bem no filme, principalmente a Millie Bobby Brown. Como protagonista ela é carismática, engraçada e aqui ela faz a quebra da quarta parede muito melhor do que no primeiro filme. A química dela com o Henry Cavill tornam as cenas de interação entre Enola e Sherlock as minhas favoritas do filme, junto com o final.

Elona Holmes 2 fala da precarização do trabalho nas fábricas em 1885 e como as vidas dos trabalhadores, especialmente mulheres, não significavam nada para os donos dessas fábricas. E grande parte do enredo gira em torno do esquema de corrupção que acoberta esses maus tratos e envenenamento intencional das trabalhadoras na fábrica de fósforos.

Há toda uma trama envolvendo pessoas poderosas em todas as castas da sociedade londrina. Percebendo que não havia muito o que fazer para que os responsáveis fossem devidamente punidos, Enola incentiva as trabalhadoras da fábrica a fazerem uma greve em prol de melhores condições de trabalho. A Greve das Meninas dos Fósforos, por melhores condições de trabalho, aconteceu de verdade, e por causa dela houveram melhorias nas condições de trabalho nas fábricas. Enola finalmente compreende o significado de “a união faz a força” e que basta uma única faísca para começar um incêndio.

O filme é divertido, perfeito para assistir em família e termina com um gancho a ser explorado num possível terceiro filme, além de ter uma cena pós-créditos que também abre caminho para mais um filme, com a aparição de um personagem icônico do universo de Sherlock Holmes.

Enola Holmes 2 está disponível na Netflix.

NOTA: 4,0/5

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