Chuvas torrenciais que a deixam sem escolha a não ser dividir a casa com um estranho, porões sinistros e um bairro isolado de qualquer segurança… são alguns dos elementos do terror usados em “Noites Brutais” (ou Barbarian), que parece se aproximar da realidade atual ao mesmo tempo que se funde com o surreal.
Em Noites Brutais, Tess (Georgina Campbell) aluga uma casa no Airbnb tarde da noite apenas para descobrir que a casa foi reservada por engano e um homem estranho, Keith (Bill Skarsgard), já está hospedado lá. Contra seu melhor julgamento, ela decide passar a noite de qualquer maneira, mas logo descobre que há muito mais o que temer na casa.

O roteirista e diretor Zach Cregger consegue trabalhar muito bem a todo momento a quebra de expectativas que o público tem a respeito do filme. Em determinados momentos fica realmente difícil prever qual será o próximo passo. Além de ser impiedoso, sangrento e inusitado, o filme também explora histórias em paralelos para criar seus sobreviventes. O que ocasiona em um final que irá mexer com suas emoções.
O primeiro ato do filme pode te enganar, fazer com que você ache que tenha um serial killer por ali ou até mesmo uma entidade paranormal. Porém, Noites Brutais vai além. O roteiro está sempre a um passo à frente do espectador, e quando você se dá conta há algo muito maior do que somente aquela casa. Há algo muito maior que a luta pela sobreviência.
A construção do mal carrega consigo um peso histórico e até mesmo uma dose de crítica. A surpresa enoja e choca, e cumpre seu papel ao mostrar a personificação do mal, mas principalmente, da sua criação e do que custou para estar ali. No entanto, sinto que a explicação foi escassa demais para tamanha importância, quando a história fica realmente boa simplesmente acaba e o terror habitual volta ao seu ritmo. Causa uma certa decepção e uma angústia de querer entender e ver mais.

Georgina Campbell e Bill Skarsgard fazem uma dupla incrível. Mas você pode se decepcionar se esperar muito de Skarsgard, porque infelizmente não há. O ator trabalho muito bem dentro das suas limitações, mas a partir do segundo ato já se torna esquecível a presença de seu personagem. Já Campbell vive uma final girl inteligente e perspicaz. É através dela que entendemos a dinâmica que acontece durante o filme e é por ela que torcemos até o segundo final. Justin Long é a terceira adição ao terror, de modo controverso e construído à base de um terreno real, sua presença torna o terror ainda mais palpável.
“Noites Brutais” (ou Barbarian) vai te surpreender, positivamente ou negativamente. Ele é do tipo de filme de terror que gera debate entre os fãs que garante apenas extremos: amei ou odiei. Sabendo disso, acredito que valha a pena consumir a história de modo que o entretenimento ao menos está garantido. Jump scares não é seu foco, a tensão e o pavor da atmosfera criada se sobressaem mais do que os sustos momentâneos.
O filme está disponível no STAR+.
Nota: 4,5/5








