A série que se passa no universo de O Senhor dos Anéis chegou ao final da sua primeira temporada. Com um orçamento bilionário, o show entregou 8 episódios que dividiram opiniões entre os fãs da saga. Alguns criticam o ritmo lento e a falta de ação na série, enquanto outros amaram a ambientação e o retorno das histórias na terra-média.
A série da Prime Vídeo se passa milhões de anos antes dos acontecimentos da trilogia original. Os Anéis de Poder segue diversos núcleos dentro do universo que convergem para o mesmo sentido, mesmo que isso demore para acontecer. Quando a série foi programada para ter cinco temporadas ao todo, que segundo os produtores já estão planejadas. Esse fato pode dar uma visão maior para os roteiristas e deixá-los trabalhar o material com mais calma.
A primeira temporada de Os Anéis de Poder não conta com muitas cenas de ação, tendo combate apenas em seu sexto episódio. O processo dessa primeira parte da série funciona como apresentação do universo e seus personagens. O show trabalha com quatro núcleos distintos, com personagens, raças e culturas que nem todos os espectadores conhecem, por isso a série se deu ao trabalho de fazer uma apresentação mais lenta para a trama, situando bem onde cada um estaria. Essa lentidão pode ser o maior incômodo de quem assiste, já que estamos acostumados a episódios cheios de ação e que tem uma grande revelação a cada episódio. Os Anéis de Poder deixa suas grandes revelações para o final da série, dando um gancho em que a segunda temporada terá muito mais ação que a primeira.

Inicialmente somos apresentados à Galadriel (Morfydd Clark), personagem central da trama que conecta três, dos quatro núcleos da série. A elfa é uma grande guerreira e estrategista, porém algo na sua construção fez com que faltasse o carisma necessário para nos conectarmos com a personagem logo de cara. É uma personagem que lentamente vamos aprendendo a gostar e entender suas motivações, que inicialmente pareciam birra de uma menina mimada. E com essa trajetória também vamos aprendendo a nos afeiçoar com Halbrand (Charlie Vickers), uma figura misteriosa que sempre deixou a dúvida se seria um grande herói ou o maior vilão da história. Um doa maiores mistérios da segunda temporada é como será o desenvolvimento da sua real identidade, agora que ela foi revelada.
Podemos dizer que carisma faltou à maior parte dos elfos, exceto Elrond (Robert Aramayo) -e um outro que falarei mais para frente- que traz um dos núcleos mais divertidos e interessantes que é o dos anões. Como na trilogia original, os anões são os personagens mais rabugentos e brutos da série, mas também são aqueles mais leais. A construção de Durin e seu dilema entre a amizade com um elfo e a procura de aprovação do seu pai engrandecem a série quando entram em cena. Além de ser peça fundamental para a forja dos anéis que levam o título da série.

O outro núcleo da série que traz uma elfo é o das Terras do Sul. O romance entre o elfo Arondir (Ismael Cruz Córdova) e a humana Bronwyn (Nazanin Boniadi) já podia ser visto de longe desde o primeiro episódio, porém a série acerta fortemente não criando um drama em cima disso e transformar esse sentimento em uma força motor para a sobrevivência (parece clichê, mas feito de forma correta pode ficar muito bom). O núcleo das Terras do Sul é o primeiro a ter contato direto com o poder de Sauron e também traz a população mais frágil, aquela que nos identificamos diretamente por suas fraquezas e marginalização. Infelizmente, após revelar que o lugar onde viviam viria a ser Mordor, os personagens não tiveram um final adequado nessa primeira temporada sendo totalmente esquecidos no episódio final. Já a outra civilização de humanos, Numenor, essa mais rica e próspera, deixa várias perguntas para a segunda temporada, cheia de personagens intrigantes e promessa de respostas sobre o universo e os acontecimentos.
Já os Pés-peludos têm um final digno de uma despedida. Sem se conectar com os outros núcleos, a série deixa várias pistas que o companheiro secreto de Nori (Markella Kavenagh) é realmente Gandalf (Daniel Weyman), e em algum momento se uniram aos outros na luta contra o Lorde Sombrio. Não me surpreenderia se o restante do núcleo tiver um papel bem menor na temporada seguinte, já que não restaram muitas respostas para serem dadas por eles.

Os Anéis de Poder entrega uma fotografia maravilhosa, é realmente um espetáculo visual. Os outros aspectos técnicos não se destacam tanto, mas fazem um papel competente. As atuações conseguem transparecer a essência de seus personagens e são bem uniformes. O roteiro é lento, mas vejo que isso é feito de forma proposital. A série não é feita para um consumo frenético, mas para ser assistida com calma e paciência. Para quem quer algo medieval cheio de batalhas e confrontos épicos, realmente não irá se satisfazer com Os Anéis de Poder, mas quem quiser apreciar uma boa história pode gostar do que a série tem a oferecer.
A segunda temporada já teve sua produção iniciada, porém não deve chegar tão cedo devido à complexidade do trabalho, principalmente de pós-produção. A série deixa altas expectativas para a sua segunda parte e várias perguntas, para quem entende e também para aqueles que não conhecem nada do universo escrito por Tolkien.
NOTA: 4/5








