Uma coisa que já está clara é que a primeira temporada de A casa do dragão pretende avançar o máximo possível a linha temporal para chegar direto no momento onde a verdadeira guerra pelo trono de ferro terá inicio e, para isso, não estão poupando nenhum tempo de tela com certas trivialidades. O quarto e quinto episódio da série só confirmou ainda mais qual o verdadeiro objetivo aqui.
Os três primeiros episódios serviram para introduzir os telespectadores dentro desse mundo novo ambientado tantos anos antes de sua série mãe, Game of Thrones, e apresentar os personagens principais descobrindo sobre suas próprias ambições e limites. Já o quarto e quinto episódio optaram por acelerar esses acontecimentos que moldaram os principais personagens e que deve impactar a segunda fase da série.

O quarto episódio da série intitulado “Rei do mar estreito” começa mostrando a apatia da princesa Rhaenyra (Milly Alcock) com a escolha de seu futuro marido e como todas as suas opções parecem fracas e desinteressantes. Logo em seguida o príncipe Daemon (Matt Smith) está de volta a Porto Real exibindo sua conquista após a guerra da Triarquia e acaba sendo bem recebido pelo rei Viserys (Paddy Considine). No entanto o foco desse episódio é no desenvolvimento dessa relação entre Rhaenyra, a coroa e o casamento, e assim Daemon a leva secretamente para conhecer os prazeres da vida noturna em Westeros.

Toda a construção desses momentos entre os dois funcionam muito bem, é inegável a química entre os atores e a forma em que o episódio é construído se conecta diretamente com o gênero “Coming of age” que é essa narrativa de maturidade e descobrimento. Algo que Rhaenyra vai enfrentando ao longo do episódio e que terá consequências diretas na segunda fase da série.
Outra coisa que não passa despercebida aqui é o jogo político que permeia o desenrolar da trama. Seja na cena da princesa vendo uma peça onde seus súditos ridicularizam sua futura ascensão ao trono ou a forma como Daemon usa a fofoca da cidade para tornar mais fácil sua futura proposta de casamento a Rhaenyra. Tudo muito bem articulado que acaba rendendo bons momentos para o telespectador e reforça ainda mais a ansiedade para o próximo salto temporal.

O fato principal é que embora o título do episódio sugira um destaque pro Daemon, o foco realmente é na Rhaenyra e todas as atitudes que devem justificar o seu futuro. Como a consagração da relação entre ela e o Criston Cole (Fabien Frankel) que desde o primeiro contato já surgiam fagulhas entre ambos. O único problema aqui é que nada que acontece parece ter de fato uma consequência no momento e fica impossível esquecer essa sensação de que a série ainda está em fase de introdução.
Todos os acontecimentos nesse episódio servem para avançar ainda mais na trama. Depois das atitudes inconsequentes, a princesa decide casar de forma política, o Rei finalmente toma alguma atitude mais firme ao remover Otto Hightower (Rhys Ifans) do cargo de mão do rei e a rainha Alicent (Emily Carey) começa a ter questionamentos que devem permear também seu arco no futuro.

Já o quinto episódio intitulado “Iluminamos o caminho” é recheado de tramas políticas, acordos e claro um casamento real. Se tem uma tradição certa no mundo de Gelo e Fogo é que nunca, jamais, se deve ir a um casamento em Westeros e aqui isso se aplica com maestria.
O episódio começa com a família real indo até Driftmark selar o acordo que resultará no casamento de Rhaenyra com Laenor Velaryon (Theo Nate) e logo em seguida os noivos conversam sobre seu futuro e selam um acordo de parceria que os dá liberdade para fazerem o que quiserem após cumprirem seus deveres um com o outro. As consequências do episódio anterior aqui se mostram no convite para uma fuga de amor feita por Cole seguida da rejeição da princesa Rhaenyra, algo que acaba se enrolando mais quando o Cole revela para uma Alicent desconfiada que de fato houve algo entre ele e a princesa.

Durante o casamento temos a melhor amostra que um bom roteiro pode entregar, todas as relações e pequenas falhas de comunicação vão escalando aos poucos até culminar no caos que comanda os minutos finais dessa primeira fase. O casamento real acontece, existe uma fagulha de interesse entre Daemon e Laena Valeryon (Savannah Steyn), Alicent declara uma guerra silenciosa e tudo parece pronto para explodir a qualquer momento.
O que os dois episódios tem em comum é a pura relação direta entre ação e consequência exibida aqui através de pequenos símbolos de guerra como o vestido verde da rainha, ou uma revolta silenciosa de Daemon ao ver a princesa prestes a casar, a raiva de um homem que sente ter sido rejeitado e a doença do rei parecendo pior a cada take.

Fato é que tanto O rei do mar estreito como Iluminamos o caminho optam por desenvolver a narrativa principal e os protagonistas, além de introduzir questões que devem ser abordadas em um futuro onde a guerra pelo trono de fato deve começar.
Todos os episódios estão disponíveis na HBO Max e as domingos um novo é adicionado.