A Tribernna assistiu ao filme antecipadamente a convite da Sony Pictures
Inspirado na história real de Agojie, um grupo de mulheres guerreiras que protegiam o reino africano de Daomé nos anos 1800, “A Mulher-Rei” conta uma história emocionante, regada de momentos intensos e uma ação ímpar.
Estrelado e produzido por Viola Davis, o longa dirigido por Gina Prince-Bythewood (The Old Guard) traz a jornada épica da General Nanisca (Davis) enquanto ela treina uma nova geração de recrutas e as prepara para a batalha contra um inimigo determinado a destruir o modo de vida delas.

Durante as 2h 14m de duração, “A Mulher-Rei” constrói uma narrativa que explora não só o tópico central da trama — o comércio de escravos — como traz uma profundidade maior aos personagens principais, moldando suas personalidades, vivências e motivações. O roteiro co-escrito pela diretora e pela Dana Stevens é o grande responsável por criar uma história que converse com a atualidade ainda que seja ambientado séculos atrás.
No entanto, quando falamos sobre a dinâmica do filme e como embarcamos na história… o grande responsável foi o elenco fenomenal do filme. Dentre os destaques estão, é claro, Viola Davis que consegue guiar uma história como ninguém, seja em sua atuação comovente e intensa, como na forma que constrói uma ligação com suas co-estrelas. Thuso Mbedu traz o frescor para A Mulher-Rei, cativando a audiência ao viver uma personagem audaciosa e implacável. Lashana Lynch esbanja carisma, humor e veracidade em tudo que expõe em tela, uma das personagens mais queridas é a responsável tanto pela parte mais leve da trama quanto as mais dramáticas, sabendo dosar com perfeição o que era necessário em cada momento.
Os demais atores que compõem o elenco são fatores importantes para deixar a história mais pessoal e íntima. Fazendo com que todos os assuntos mais sérios da trama ganhem uma profundidade necessária. Bem como toda caracterização exposta no longa, seja nos figurinos como na ambientação das locações de filmagem. Tudo também acaba incorporando na celebração da cultura africana, evidenciando seu poder e riqueza, em diversos sentidos que a palavra carrega.

Fica claro que Prince-Bythewood e Stevens tiveram um certo cuidado ao moldar uma história que traz o comércio de escravo dentro da África, de modo que fica evidente que toda guerra entre os povos africanos vinha de uma manipulação daqueles que escravizavam e comercializavam seres humanos. O debate trazido por Davis, infelizmente, ainda é muito atual. Há compaixão em muitas de suas falas, e também dor, seja ao retratar o povo negro ou retratar a dor de ser uma mulher.
Quando falamos de ação, o filme não deixa a desejar! Logo nos primeiros minutos o longa já exibe todo seu potencial que será destrinchado mais a fundo no decorrer da história. Impactante e chocante de um modo que deixará você vibrando.

Como Coração Valente e Tróia, A Mulher-Rei se utiliza de eventos históricos para criar uma história emocionante, mas foge um pouco da realidade em momentos bem específicos. No entanto isso não incomoda, até porque tudo que é mostrado durante o filme (e sua cena pós-crédito) se faz suficiente para consagrar o filme como um dos melhores de seu gênero.
“A Mulher-Rei” é excelente em tudo que se propõe a fazer. Sabe criar uma história crítica sem pesar a mão, traz lutas e confrontos surpreendentes e dá o protagonismo glorioso a mulheres que geralmente não ganham esse destaque em blockbusters. Definitivamente o longa passará a ser um parâmetro de como contarão histórias de culturas diferentes dentro de Hollywood.
O filme estreia nos cinemas do país no dia 22 de setembro.
Nota: 5/5








