Do best-seller homônimo de Delia Owens, “Um Lugar Bem Longe Daqui” estreou nos cinemas no dia primeiro de setembro, trazendo uma história sobre dor, solidão e sobrevivência. No entanto, o filme não bebe da mesma imensidão dramática e cai no limbo das adaptações literárias que não conseguem retratar nada além da superficialidade de um bom livro.
Em “Um Lugar Bem Longe Daqui“, conhecemos Kya Clark, solitária e abandonada pela família e pelos habitantes da cidade que a excluem e a rotulam de “Garota do Brejo”. A vida da jovem Kya passa de total isolamento a suspeita do assassinato da celebridade local da cidade, Chase Andrews. O filme acaba por oscilar entre o presente e passado da protagonista para entendermos sua história dolorosa e o que a levou a ser a suspeita número 1 desse crime.
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Não vou ser aqui a típica leitora chata que compara livro com filme, vou deixar isso para um futuro episódio do Tricast. No entanto, não posso deixar de comentar sobre a falta de profundidade de todos os gêneros que a história passeia. O filme é morno em seu drama, em seu romance e principalmente em seu mistério. É um eterno “quase lá”, uma amostra do que poderia ter sido. É um fato que há muita história para pouco tempo, e minha única conclusão ao fim foi de que “Um Lugar Bem Longe Daqui” seria muito melhor construído se fosse uma minissérie da HBO.
Falta muito do roteiro para evidenciar tamanha solidão e dor da protagonista. Ainda assim, Daisy Edgar-Jones e Jojo Regina — que interpretam Kya na versão adulta e criança, respetivamente — tentam extrair o máximo de suas atuações e compensar com suas performances as lacunas presentes no roteiro de Lucy Alibar.
O pouco tempo em que dispõe em tela assuntos mais sérios, o filme consegue elaborar o preconceito que envolve a protagonista e o fixa como elemento principal da sua ida ao tribunal. Constrói um pensamento crítico com o espectador e o faz questionar sobre comportamentos que ainda existem na nossa sociedade atual.

Os demais atores que compõem o elenco não chamam atenção por suas atuações, são medíocres como o filme no geral. Surfam no nível mediano e não entregam nada além do que a história demonstra em tela. O que se destaca em determinados momentos é a química entre Taylor John Smith e Daisy Edgar-Jones, o casal cria um vínculo emocional bonito de ser assistido, constrói uma relação com altos e baixos e faz com que o espectador se importe com eles.
Apesar de nadar na superficialidade da história, o longa consegue chocar e impactar em momentos pontuais da trama. Muito se dá também pela direção de Olivia Newman que soube construir uma adaptação fiel, dentro das limitações já citadas, e molda-la para o cinema de modo que faça sentido a transição dos anos durante a narrativa.
Com uma locação belíssima, que rendeu cenas de tirar o fôlego, “Um Lugar Bem Longe Daqui” é um filme que vale o seu ingresso. Ele entretém, instiga e provoca um divertimento característico da história. Ainda assim, vale reforçar que este é daqueles casos que o filme deveria ter sido uma minissérie, para ser melhor aproveitado, elaborado e desfrutado pelo espectador.
Nota: 3,5/5








