A Tribernna assistiu o filme antecipadamente à convite da Universal Pictures
É um fato que Jordan Peele já provou ao mundo que em pouco tempo já se consagrou como um dos melhores cineastas contadores de história da nossa geração. Após Corra e Nós é normal que a expectativa para “Não! Não Olhe!” esteja nas alturas. E felizmente, posso afirmar, que todas as expectativas criadas foram supridas.
Estrelado por Daniel Kaluuya, Keke Palmer e Steven Yeun, o longa que une elementos do faroeste combinados com uma ficção científica aterrorizante traz a história dos irmãos Haywood, que possuem um rancho de cavalos e são vizinhos de um parque de diversões. Até que um dia os dois então são testemunhas de eventos bizarros e discos voadores.

Toda atmosfera apresentada previamente, através de trailers e outros meios de divulgações, me deixaram preparada para algum filme que se assemelhasse a Sinais, o clássico de M. Night Shyamalan. No entanto, Peele vai além ao dirigir e escrever um filme que explora o medo do desconhecido como ninguém, sendo explicito em suas ações e criando uma atmosfera amedrontadora. O cineasta sabe construir um longa que apavora e encanta, hipnotiza e causa temor.
A imprevisibilidade do rumo da história contribui para a elevação da tensão. Não se sabe muito sobre a ameaça, nem como lidar com ela sem trágicas consequências, logo isso faz com que o filme se torne uma experiência aterrorizante em determinados momentos. Além da direção de Peele, a edição de som colabora muito ao criar esses momentos mais ensurdeceres, que nos tira do assento e faz nossos corações pularem.

Dentro de toda dinâmica que os filmes de horror exploram, Peele ainda tira um tempo para trazer de forma singela sua crítica social característica de suas histórias. Ao começar tecendo a herança histórica dos protagonistas, o roteiro constrói camadas ao redor de uma história real! O homem anônimo que aparece na primeira imagem feita com captura de movimentos, pelo fotógrafo inglês Eadweard Muybridge, no século 19, neste caso, na ficção, é ascendente dos irmãos. O que nos traz um debate acerca de apagamento do protagonismo negro no decorrer dos anos e a necessidade de destacar sua importância e seu nome dentro de ambientes que escolhem ignorá-los.
Acompanhado da trama envolvendo objetos desconhecidos rondando e aterrorizando todos, “Não! Não Olhe!” insere uma história paralela a principal. Igualmente amedrontadora, a história do personagem vivido por Steve Yeun é um dos pontos mais surpreendentes do filme. Acompanhamos macabros flashbacks de uma ex-estrela mirim que teve sua carreira artística interrompida de forma terrível. Além da cena em si que exibe da maestria que o terror pode fornecer, há consigo um olhar mais criterioso a respeito do desejo pela fama e o desrespeito cruel que envolve o showbusiness.

Se Daniel Kaluuya é o protagonista mais denso, responsável e pé no chão, Keke Palmer é o calor da espontaneidade que equilibra a relação dos irmãos. A dinâmica entre os dois faz com que o filme ganhe uma qualidade que abraça o espectador, criando empatia e ligações instantâneas. Acompanhamos os seus desenvolvimentos se tornarem mais intensos e complexos, do modo em que seja perceptível o clamor que ambos tem de serem notados e realmente vistos. O que acaba criando uma ironia com nome do filme.
O humor se faz muito presente dentro da história, no entanto ele aparece de forma mais singela e pontual. Principalmente quando envolve a personalidade dos personagens, o tom mais cômico se dá através de diálogos que representam a reação de qualquer um diante de tais situações.
“Não! Não Olhe!” é um filme esmagador. Talvez seu único defeito seja o começo um pouco lento em comparação com o restante do longa. Ainda assim, Jordan Peele nos apresenta uma história única, jamais vista igual. Por mais que carregue elementos da cultura pop que podemos enxergar singelamente ali, há uma narrativa inédita. Em uma viagem alucinante, a história é moldada dentro do conceito de inacreditável e surreal, nos chocando e entretendo de um jeito que somente Peele conseguiria fazer.
O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de agosto.
Nota: 4,8/5








