CRÍTICA | Netflix descarta tudo de bom e faz adaptação de “Amor & Gelato” parecer uma péssima ideia

Na última quarta-feira (22) a Netflix lançou sua mais nova comédia romântica Amor & Gelato, com direção e roteiro por Brandon Camp o longa é baseado no best seller homônimo de Jenna Evans Welch e conta a história de Lina (Susanna Skaggs) uma adolescente que resolve atender ao último pedido de sua mãe e decide passar uma temporada na Itália afim de descobrir mais sobre si mesma e sua própria história.

Para começar preciso dizer que não tenho grandes problemas com a fidelidade quando se trata de obras literárias, inclusive encorajo bastante mudanças já que o original sempre estará intacto. No entanto, o longa bastante esperado pelos fãs do livro, acabou chegando na plataforma com um gosto amargo pois embora de fato seja uma péssima adaptação, o grande problema de Amor & Gelato é ser um filme sem personalidade.

A total falta de química entre os atores faz com que todos os plots soem artificiais e distantes demais, o que acaba tornando o longa em uma experiência maçante e sofrível já que a sensação que causa é ansiedade para que chegue ao fim. O filme tenta formar um triangulo amoroso, mas esquece de dar motivos para torcermos para os personagens ou personalidade para a protagonista, desse modo nada soa realmente verdadeiro ou importante, mesmo quando a história tenta mostrar o peso da solidão que paira sobre os ombros dela.

Tobias de Angelis, o Lorenzo, parece ser a única pessoa minimamente interessante na história. Ainda que sem muito desenvolvimento, seus momentos em cena tornam a experiência menos negativa. Ao contrário do Saul Nanni, o Alessandro, que tentou bastante emular o playboy riquinho que busca uma rebeldia, mas graças a um roteiro confuso e uma falta de personalidade do personagem tornou difícil entender qual caminho queria tomar, problema sofrido por todos os personagens da história.

A maneira que Lina consegue interagir com outros personagens fora do triângulo amoroso acaba funcionando melhor. As cenas com Valentina Lodovini, a melhor amiga de sua mãe e atual madrinha italiana, e suas interações com Owen McDonnell com quem desenvolve uma relação paterna entregam melhores momentos de conflito, ainda que superficial demais para que o telespectador sinta um apego.

Mas como nada é tão ruim assim, a fotografia e os visuais do filme tornam a história mais divertida. Embora não cause a sensação de paixão pelas ruas de Florença que outros filmes já conseguiram, como Cartas para julieta (2010) as cenas da cidade ao fundo e os tour gastronômicos vividos pela protagonista fazem a experiência valer um pouco mais a pena.

No fim das contas Amor & Gelato não consegue chegar ao nível das grandes adaptações literárias ou entrar no hall de boas comédias românticas, mas pode ser um breve entretenimento se der play sem grandes expectativas.

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