CRÍTICA | “La Casa de Papel: Coreia” é um excelente e viciante remake

O sucesso espanhol que colecionou admiradores entre 2017 e 2021 ganhou um baita de um remake sul-coreano capaz de honrar toda história e trajetória que cativou o mundo na Netflix.

Cabe salientar algo importante que metade da internet se esqueceu. O significado de remake. A história de “La Casa de Papel: Coreia” é uma adaptação sul-coreana dos eventos que aconteceram na obra original, uma visão de como as coisas aconteceriam dentro do contexto social inserido na Coreia. É claro que a história é igual, esse é o significado de produções remake; histórias iguais com uma roupagem diferente.

Tendo isso em mente fica mais fácil aproveitar a produção, você enxerga ali se ela se adequa ou não aos seus gostos. Na minha opinião, ainda que você saiba dos plot twists e de como a história irá se desenrolar, o k-drama ainda é um entretenimento divertido, seja pra caçar referências ou desfrutar do desenrolar da construção dos personagens.

La casa de papel: Coreia | Site oficial da Netflix

Os 6 episódios da primeira temporada são responsáveis por nos apresentar a maior parte dos integrantes que irão roubar a Casa da Moeda. Seguindo os mesmos moldes de seu original, o k-drama intercala entre a ação do plano e flashbacks correlacionados com o momento.

É claro que “La Casa de Papel: Coreia” carrega consigo suas peculiaridades e diferenças com a obra original, seja nos personagens em si ou como a narrativa flui entre os acontecimentos. Não irei me estender neste ponto, até porque seria um grande spoiler.

O ponto crucial, a maior diferença, que consequentemente se torna um dos pontos de destaque da produção, é a distopia que ela cria, o contexto socioeconômico que envolve os protagonistas e os motivam a estar ali. A história é ambientada em um futuro em que as duas Coreias se unem para se tornar uma grande província, no entanto o plano visa somente beneficiar os mais poderosos e influentes dos dois países. Logo a desigualdade aumenta, bem como a pobreza e a violência.

Como estamos falando da unificação das Coreias, a trama trabalha muito bem com a desconfiança dos que vieram do norte e do sul, com pensamentos estereotipados que influenciam no desenvolver da trama e transformam os obstáculos mais interessantes a quem assiste.

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Apesar do Professor (Yoo Ji-tae) ser o personagem mais “fraco” em representação em tela, os demais ladrões são um deleite aos olhos do espectador. Cheios de carisma e química entre si, eles formam um grupo instável e imprevisível, mas que garantem um entretenimento de prato cheio. Se destacam Park Hae Soo (Berlim), Jeon Jong Seo (Tokyo), Lee Hyun Woo (Rio), Lee Wong Jong (Moscou), Jang Yoong Ju (Nairobi) e Kim Ji Hun (Denver); que, sem exceção, entregaram atuações dignas de conquistar aqueles que deram uma chance a nova versão de La Casa de Papel.

Dentre os personagens citados Tokyo foi a que teve um destaque maior nesta primeira parte, principalmente no episódio inicial. O background criado para a personagem solidifica sua personalidade e faz com que ela ganhe mais profundidade em suas ações. Já Berlim se sobressai pela sua personalidade, irreverência e inteligência, ao ponto das suas atitudes não pesarem tanto na régua. Ambos representam lados opostos, mas que em conflito funcionam muito para entreter o espectador.

La Casa de Papel: Coreia” é uma produção surpreendente. Apesar de grande parte saber o que irá acontecer a seguir, é impossível desgrudar os olhos da tela quando o episódio começa. Direto e sucinto, a nova versão não perde tempo com rodeios e nos faz pedir por mais. O remake encontra sua originalidade ao inserir artifícios sociais e políticos dentro da trama, que só podem funcionar dentro da sociedade criada.

Nota: 4,3/5

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