Criada por Alec Berg e Bill Hader, Barry chega ao fim do seu terceiro ano e mostra mais uma vez porque é uma das melhores séries em produção no momento. Estrelada por Bill Hader, a série já venceu 6 estatuetas do Emmy, incluindo Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante, e está cotada para a briga mais uma vez. Além disso, o show foi renovado para a sua quarta temporada pela HBO.
Se nas duas primeiras temporadas vemos um Barry Barkman tentando sair da vida de ódio e assassinatos, mas sempre sendo sugado para dentro desse universo, nesta terceira temporada vemos a entrega dele a essa vida obscura e o seu processo depressivo estar mais latente do que nunca.
A série logicamente gira em torno do seu personagem principal, afinal ele que leva o nome do show, porém foi interessante ver a série dar protagonismo a outros personagens também importantes para a trama, como o Gene Cousineau, Sally Reed e, o irreverente, NoHo Hank.
Começamos a temporada já vendo a grande ascensão de Sally (Sarah Goldberg) lançando a sua série, finalmente conquistando o espaço que ela lutou por anos, porém ao mesmo tempo que ela conquista esse sucesso para o mundo, internamente ela se sente a maior impostora que existe por vender uma falsa vida para a indústria. Sally desde o começo foi uma personagem dúbia, com grandes momentos, mas sempre pensando no benefício próprio, nessa temporada (principalmente no final dela) vemos o ápice desse aspecto e da sua instabilidade mental. Essa temporada e a derrocada de Sally pode dar início a uma jornada de autoconhecimento que veremos na temporada seguinte.
Ainda no núcleo da atuação, Gene Cousineau (Henry Winkler) está entregue à vida, ou a falta de esperança nela, entrando em um pesado e perigoso estado depressivo, apesar de ter conseguido se reconciliar com seu filho e neto. O ex-ator está decidido a fazer Barry pagar pelo seu crime, até que o próprio ex-aluno descobre sobre seus planos e o rapta. Em um episódio focado nessa procura de redenção de Barry (por linhas tortas), a vida de Gene dá uma reviravolta e ele conquista sua carreira novamente. Se na primeira temporada o professor Cousineau era um personagem desgostoso, ao final desse terceiro ano sentimos empatia com ele e vibramos por sua redenção e sua vingança conquistada.

Indo para o núcleo transgressor da série, e para um dos meus personagens preferidos, é incrível o trabalho que tiveram com NoHo Hank (Anthony Carrigan) essa temporada. Um personagem que foi criado para ser justamente esse contraponto, essa figura destoante dentro do mundo da máfia, era um bom gatilho cômico, foi ganhando mais espaço e aprofundamento com o decorrer da série. Vemos de forma bem natural e concisa seu relacionamento com Cristobal (Michael Irby) surgir e eles viverem nessa dualidade de estarem apaixonados, mas serem chefes de gangues rivais. Se a série fosse sobre eles poderíamos dizer que era um Romeu e Julieta gay na máfia, acrescentando o aspecto que eles não podem se assumirem homossexuais e precisarem apresentar essa imagem de viris no universo que trabalham. O núcleo de NoHo Hank é super cômico e sempre dá certo por conta de algo que deu muito errado, apesar do teor violento, é sempre o ponto de respiro para o drama no universo mais “humano” de Barry.
Antes de ir para o personagem principal, falo também sobre Monroe Fuches (Stephen Root), que para mim foi o ponto inconstante da série, tendo ótimos momentos e outros nem tanto, porém sempre com a missão de tornar a vida de Barry uma desgraça. Até o quinto episódio achei que o melhor fim para o personagem era a morte, mas com as reviravoltas da última parte, estou curioso para o que a série fará com ele.

Barry finalmente conquistou o seu grande amor, se livrou de Fuches e pode sair do mundo do assassinato, porém esse é o momento em que Barry está mais depressivo em toda a série. Assim como um viciado, ele sente essa necessidade de um propósito de vida, e parece que a vida de atuação não é suficiente para ele, então ele volta a ser matador de aluguel. Porém depois de passar pelo que ele passou, esses casos não são desafiadores em nada. Barry sente essa necessidade de ser provocado e deixar sua raiva sair (a maioria das vezes em formato da bala saindo do cano do revólver). A série sempre teve a premissa de focar no psicológico de Barry, e é nessa temporada que ela faz isso grandiosamente. Vemos essa vida dupla de Barry romper as barreiras de forma que nem ele consegue controlar e mesmo quando parece que as coisas vão dar certo, algum gatilho é disparado e ele se perde totalmente de novo.
É inegável o quando Barry ama Sally e o quanto ele quer se redimir com Gene, porém ele não sabe as maneiras de como demonstrar isso, sendo um grande babaca, ou até um sequestrador. Barry perde a noção da realidade nessa temporada, e a fotografia consegue mostrar isso com maestria. Vemos o mundo se voltar contra ele, ao mesmo tempo em que a polícia fecha os olhos para isso e ele consegue sair impune. Entre dramas e assassinatos, Barry só quer ser aceito e amado por alguém, porém ele nunca pode demonstrar quem inteiramente ele é porque sabe o que aconteceria. Se a experiência de quase morte não foi suficiente para a sua transformação (ou melhor, teria sido se ele não tivesse sido sugado de novo para esse mundo), vamos ver o que a quarta temporada trará para o nosso protagonista.
NOTA: 5/5








