Escrito e dirigido por Park Hoon-Jung, The Witch: Part 1. The Subversion conta a história de uma adolescente do interior que vive sua vida normal até descobrir que na verdade ela é uma experiência de laboratório em fuga por aproximadamente 10 anos.
Durante toda sua narrativa, Hoon-Jung consegue nos manter atentos a uma narrativa intensa e imersiva. Distribuindo pequenas informações de forma gradativa e nos fazendo pedir por mais desse mistério. O longa consegue inserir elementos bastante conhecidos na cultura pop atual, ao mesmo tempo que cria e molda sua identidade. É possível ver algumas referências a Stranger Things e Resident Evil por exemplo, no entanto elaborado de forma mais sangrenta e inserido em uma tensão que somente o cinema asiático pode oferecer.
A performance de Kim Da-Mi surpreende o público conforme a história se avança. Transitando entre a inocência, a dor de uma vítima e a sede de vingança, a atriz brilha em um protagonismo único e solitário. Seu companheiro de tela, Choi Woo-Sik não tem um impacto significativo na história (tanto que ele nem recebe um nome), mas o ator faz com que seu tempo de tela seja aproveitado até o último segundo. Entregando um vilão sarcástico e charmoso, Woo-Sik se transforma em algo diferente do que vimos em seus k-dramas.

As cenas de ação, por mais que os efeitos CGI deixem a desejar em momentos específicos, são de tirar o fôlego. Sagaz, sem piedade e totalmente cruel, os personagens se entregam em momentos decisivos de vida ou morte, entregando cenas sangrentas e surreais. Não há rodeios ou previsibilidade, o diretor escolhe ir direto ao ponto em momentos que normalmente vemos o clichê de longos discursos vilanescos surgirem.
É claro que há diversos personagens interessantes que são resumidos em meros coadjuvantes com rostos apavorantes. O filme escolhe focar no desenvolvimento da protagonista, seu plot twist e tudo que gira em torno de sua criação, nos fornecendo visões conflituosas da mesma personagem: a máquina de matar e a adolescente dócil e amável do campo.

Como um todo o filme é uma boa diversão, não é o melhor de seu gênero, muito menos o pior. Mas em suas 2 horas de duração garante a você uma dose extra de tensão graças a ação desenfreada, lutas bem coreografadas e um mistério scifi intenso. Ainda assim o filme peca em não explorar mais a finco o seu lado mais “scifi“, foca muito na ação e esquece que esse tipo de filme também precisa de uma base mais sólida além de rápidos flashbacks.
The Witch: Part 1. The Subversion chama atenção por criar uma sobrevivente sem pudor como protagonista. Com uma moral duvidosa, a trama desenvolve uma personagem cheia de camadas e que nos faz questionar qual será seu próximo passo. Felizmente, após 4 anos de seu lançamento iremos descobrir, já que a parte 2 do longa estreia ainda neste mês de junho nos cinemas sul-coreanos.
O filme está disponível no Movie Asian Fansubs.
Nota: 3,8/5








