A Tribernna assistiu o filme antecipadamente à convite da Diamond Films
Em uma aventura multidimensional, “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” garante uma experiência cinematográfica regada de humor, ação e infinitas possibilidades de entender que sua história é única entre um milhão de universos alternativos graças a suas escolhas, e isso não faz dela a melhor ou a pior.
Dirigido pela dupla Dan Kwan e Daniel Scheinert, o filme conta a história de Evelyn Wang (Michelle Yeoh) uma mulher que se envolve por acaso em uma aventura que coloca o destino de todos os universos em suas mãos – e também a faz questionar quem ela é para si mesma e sua família.
A narrativa nos guia em uma jornada de 2h20m de duração através de analogias e metáforas que retratam um ciclo vicioso de abandono familiar, no sentido mais emocional do que físico. Se assemelhando ligeiramente com Red, filme da Disney, que também retrata uma relação familiar asiática conturbada.
Há muito o que se falar a respeito do enredo do longa da A24, no entanto, sua percepção é algo muito subjetivo e pessoal. A trama por dentro de toda alucinação multidimensional se transforma em algo mais intimista, conversa com o espectador de formas diferentes, que só ele é capaz de decifrar. Talvez seja por isso que o filme cative e conquiste além de todo seu humor “sem noção”, porque ele é visto de forma única conforme quem está assimilando a mensagem.
“Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” brilha porque, felizmente, não se leva a sério. O filme explora as infinitas versões de seu universo da melhor maneira possível: evidenciando até as realidades mais absurdas. Entre ação e a tensão de um colapso interdimensional, o longa insere pessoas com dedos de salsichas e lutas com vibradores. E o mais incrível é que ainda que o filme ganhe esse humor “pastelão”, ele não se transforma nesse tipo de filme. Ao fim, o filme se torna tudo aquilo que Doutor Estranho tentou mas não conseguiu explorar, um filme que realmente nos convence de que o multiverso existe.
Diante das cenas de ação é impossível não evidenciar inspirações de lendas asiáticas do cinema, principalmente o estilo de luta de Jackie Chan. É tão perceptível que o estilo do ator se mantém presente em diversos momentos do filme que ao fim enxerguei tudo como uma bela homenagem, um jeito de manter vivo seu legado.

Ainda que o longa tenha uma trama instigante e complexa, com cenas de ação de tirar o fôlego e um humor ácido de primeira, o que chama atenção é a parte técnica do filme. Quesitos como a montagem, efeitos especiais, trilha sonora, o figurino e a caracterização dos personagens, bem como a fotografia, são alguns fatores que eu tenho certeza que vão garantir ao filme sua presença nas premiações do ano que vem.
Michelle Yeoh, Jamie Lee Curtis, Stephanie Hsu e Ke Huy Quan compõem o elenco dos sonhos. A capacidade de se transformarem em infinitas versões de si mesmo em questão de segundos é de deixar qualquer espectador de queixo caído. Além de todo carisma e entrosamento entre si, é graças ao elenco que o filme consegue encaixar todos os temas propostos sem se tornar uma bagunça complexa demais para ser compreendida.
“Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” é um dos melhores e mais complexos filmes da A24 que assisti até hoje, e não me surpreende de ver que ele se tornou o maior sucesso global da produtora. Além de conquistar o público com uma proposta visual única e arrebatadora, o filme conversa intimamente, olho no olho, com a audiência através de um roteiro bem escrito e elaborado em torno do sentimento mais íntimo e relacionável que nós temos: o amor.
O longa estreia no dia 16 de junho nos cinemas.
Nota: 5/5








