Cotada como umas das produções sul-coreanas mais aguardadas em 2021, Snowdrop estreou no Brasil pela STAR+ em fevereiro com Jung Hae In e JiSoo (BLACKPINK) no elenco. Ambientado nos anos 80, o k-drama explora um romance fadado à ruina em um cenário político caótico e conflituoso. No entanto, uma história com tanto potencial foi desperdiçada em um roteiro falho, um enredo raso e um dorama completamente monótono.
A trama se passa em 1987, um momento crítico da história sul-coreana durante os protestos por democracia no país, época marcada também pela repressão das entidades autoritárias do país, seja ela o próprio governo ou a polícia em si. A história explora basicamente três polos da mesma situação. No núcleo jovem e despretensioso, conhecemos Eun Young-ho (Kim JiSoo) em um colégio só para meninas. Soo-ho (Jung Hae In) é responsável pela trama mais misteriosa de Snowdrop, com a missão de ser um agente secreto da Coréia do Norte e um passado dramático. E por fim, o círculo de adultos, composto por diretores do serviço de inteligência do país mais agentes do governo, tanto do norte quanto do sul.


À primeira vista, Snowdrop é realmente um dorama interessantíssimo de assistir. Prometendo tramas escondidas, com espiões, missões secretas e conflito entre Coréia do Norte e do Sul, o enredo principal instiga o espectador a assistir. Principalmente pelo fato de instaurar a curiosidade a respeito do romance entre os protagonistas. Como isso vai funcionar? Como alguém do Norte e do Sul podem ficar juntos? Será possível repetir a fórmula de Crash Landing On You?
Infelizmente isso tudo é jogado por ladeira abaixo após o terceiro episódio. Com um começo promissor, jovial, com a perfeita combinação entre ser despretensioso com romance juvenil e o mistério de um espião, o k-drama se perde em uma trama redundante e cansativa. Assim que o sequestro se dá inicio, logo após a cena de confronto entre policiais e espiões, que foi de tirar o fôlego, tudo que acontece até o episódio final é um loop infinito.
A trama segue com: negociação entre policiais e espiões, espiões são enganados, eles gritam e ameaçam (mas não fazem nada), negociam novamente, são enganados, gritam e ameaçam…. e vocês já entenderam a onde eu quero chegar, não é?
O trio de espiões, liderado por Jung Hae In, não oferece nenhuma ameaça real. Apesar dos atores terem desempenhado muito bem seus papéis, o roteiro a eles imposto foi preguiçoso e com falta de criatividade. Faltou uma ousadia em suas ações. O que era escasso neles foi ao fim mostrado com o outro espião secreto, que rendeu uma cena realmente surpreendente e com a essência exata de que precisávamos no decorrer dos looooongos 16 episódios.

A duração dos episódios foi a maior inimiga de uma produção cujo texto era fraco e chato. Com episódios de quase 2 horas de duração, Snowdrop tentava desenvolver pequenas cenas e sentimentos, os destrinchando ao máximo, até não aguentarmos mais assistir em velocidade normal e apelar para a ferramenta de “assistir acelerado”. Não me leve à mal, a história é realmente boa, mas funcionaria muito melhor se fosse um filme. Ela não consegue se sustentar em um drama tão longo assim.
Essa não é a primeira vez que digo isso de algum drama do Jung Hae In. Relembrei uns textos antigos, em que eu falei sobre A Peace of Your Mind, que comete o mesmo erro de ser desnecessariamente longo, com uma história mais coesa e sucinta se tornaria um belíssimo filme. Porém, ao contrário desse que ao menos soube explorar diferentes vertentes da história, Snowdrop cai na redundância e se torna frustrante.
Quando falamos do elenco adulto do dorama, costumo considerar apenas a diretora do colégio, que carregou uma história individual interessantíssima, que me prendeu atenção a todo momento e me fez criar meia dúzias de teorias. Já o núcleo de políticos e agentes do estado, bem como suas esposas, foram um show de horror à parte. Com motivações fracas, reações exageradas e sem um plano coeso, o grupo só existiu pra gente passar raiva assistindo seu circo de horrores.


Uma das partes boas do drama foi o elenco feminino. Além da diretora, previamente mencionada, as alunas formaram um grupo muito delicioso de assistir. Com uma química inegável, cenas de cumplicidade, com direito a planos mirabolantes e alguns alívios cômicos. No entanto, o roteiro peca mais uma vez ao criar uma irmandade tão inspiradora e logo após esquecer de sua existência com um final triste e anticlimático.
A química entre Jung Hae In e JiSoo também entra nesse rol de “pequenas coisas boas do dorama”. Como o primeiro papel de destaque em k-drama, JiSoo foi surpreendente, soube lidar com as mudanças que sua personagem sofreu no decorrer dos episódios e parece bastante à vontade em cenas que compartilhava uma tensão mais apaixonante com Hae In, que por sua vez mostrou o porquê é um dos protagonistas mais queridos da dramaland. Mesmo em um k-drama com um péssimo desenvolvimento, soube conduzir a história e deixá-la menos insuportável de ser assistida.
Como um todo Snowdrop não conseguiu entregar o que propusera inicialmente. Se perdeu em uma história desnecessariamente longa e cansativa, não soube explorar a diversidade de histórias que tinha em mãos e se acomodou em um sequestro infinito acompanhado de um receio em vilanizar a imagem do protagonista. Senti falta de momentos de espião com Jung Hae In e tramas políticas inteligentes que me fizessem ficar entretida na história.
Escute nosso podcast sobre o dorama aqui!
Nota: 2,1/5



Um comentário
Concordo plenamente com sua crítica. Parei no episódio do sequestro e ainda não consegui retornar. É uma pena que seguiram por essa linha cansativa e enfadonha.