CRÍTICA | Somos todos um pouco ‘A Pior Pessoa do Mundo’

A Pior Pessoa do Mundo (The Worst Person in the World) é um dos favoritos para levar o Oscar de melhor filme em língua estrangeira. No filme, Julie (Renate Reinsve) está chegando aos trinta e sua vida é uma bagunça existencial. Seu namorado, Aksel (Anders Danielsen Lie), um escritor de sucesso com mais de quarenta anos, está pressionando para que eles se estabeleçam. Uma noite, Julie invade uma festa e conhece o charmoso Eivind (Herbert Nordrum). Em pouco tempo, ela termina com Aksel e se joga em um novo relacionamento, esperando uma perspectiva diferente em sua vida.

O filme se divide em 14 partes: um prólogo, doze capítulos e um epílogo. Cada uma dessas partes realmente nos dá a sensação de um capítulo de um livro, onde a vida da personagem nos apresenta uma nova problemática. Apesar do título, A Pior Pessoa do Mundo não trata de pessoas ruins, trata de pessoas, que são seres instáveis. Se estamos acostumados com a narrativa de mocinho e vilão, este filme bagunça isso nos trazendo personagens legais, que adoraríamos conversar, mas que também tem defeitos que nos faria odiar eles. Dentre todos, a própria Julie é a personagem que nos menos gera empatia (talvez por ela ter trocado de profissão três vezes nos dez primeiros minutos de filme, mostrando toda a sua posição de privilégio; ou talvez por nos gerar uma identificação em pontos que não queremos nos identificar).

A Pior Pessoa do Mundo (Filme), Trailer, Sinopse e Curiosidades - Cinema10

A direção do norueguês Joachim Trier é primorosa, esse filme talvez te valesse também uma indicação na categoria de melhor direção. O roteiro é escrito pelo próprio diretor em conjunto com Eskil Vogt. Não sei se foi proposital, ou se é algo do cinema norueguês (que tem um histórico de ótimos filmes), mas senti uma falta de tempero nos personagens que nos fizessem realmente sentir impactos com seus finais. O filme nos aproxima bastante dos personagens em seus embates internos e em algumas experiências de vida, mas ao mesmo tempo nos distancia no lugar em que eles se encontram.

Tecnicamente A Pior Pessoa do Mundo nos dá uma aula. A trilha sonora é muito bem colocada, entrando em momentos certeiros para manter o tom do filme e sem causar uma cacofonia na obra. A fotografia naturalista dá o tom ideal para a obra, enquadramentos e as cores utilizadas nos entregam bastante não só da narrativa, mas dos próprios sentimentos dos personagens. Destaco aqui duas cenas em específico, que provavelmente são os pontos altos do longa. Primeiramente a cena do casamento onde Julie se encontra pela primeira vez com Eivind, nos causando uma tensão enorme (em vários sentidos) e nos encaminhando para o clímax da obra. E a cena em que ela corre pela cidade com todos paralisados ao seu redor, é uma sequência realmente encantadora.

Por fim, a título de curiosidade, deixo aqui a thread da Marina Rodrigues sobre o processo de financiamento do filme.

NOTA: 4,5/5

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