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CRÍTICA | “Ambulância: Um Dia De Crime” traz de volta a estética dos clássicos de ação

O novo lançamento do aclamado diretor Michael Bay pela Universal Pictures, estrelado pelo trio Jake Gyllenhaal, Yahya Abdul-Mateen II e Eiza Gonzalez, “Ambulância: Um Dia De Crime” traz a essência dos anos 90/começo dos anos 2000 de volta às telonas. Com direito a perseguições bem elaboradas, personagens marcantes e frases de efeito, Bay nos dá, em termos, a nostalgia de Bad Boys.

O filme conta a história dos irmãos William (Abdul-Mateen II) e Danny Sharp (Gyllenhaal) que se unem para roubar um banco. No entanto não é tão simples assim, William é um veterano da guerra e descobre que sua esposa está com câncer, por omissão do governo ela não consegue ter o tratamento adequado, então ele recorre ao seu irmão, o qual estava afastado devido as suas escolhas na vida. Danny consegue persuadir William a roubar o banco, e os dois, inevitavelmente, acabam presos em uma perseguição sem fim.

Quando falamos de filmes de ação, Michael Bay é realmente o nome que vem a sua cabeça de imediato. O diretor se consagrou no cinema com filmes como Bad Boys, Transformers, Armagedon, Esquadrão 6 etc, logo fica claro que se você quer um filme que chame a audiência pela tensão, pelos confrontos e, definitivamente, pelas explosões. Ele é o nome certo. 

Bay consegue fazer o que já faz de melhor há anos, traz um filme capaz de prender a atenção da audiência e alimenta uma tensão ao longo da maior parte das 2h 16min de duração do filme. Seja na forma escolhida de sua filmagem ou na perseguição em si, que é muito bem conduzida, “Ambulância: Um Dia De Crime” é um ótimo filme de ação para quem gosta do gênero. No entanto, ele se estende demais, definitivamente poderíamos diminuí-lo em pelo menos 30 minutos a menos e ele se tornaria mais atrativo.

O trio de protagonistas compartilham de uma química inegável, fica evidente que essa realmente foi a melhor escolha para o filme. Porém, não poderia deixar de frisar que Gyllenhaal foi quem roubou a cena. Vivendo um personagem instável e explosivo, o ator consegue conquistar a atenção do público e até fazer a gente torcer um pouco por ele. Coberto pelo seu carisma, Gyllenhaal vive um “vilão” que não é tão inteligente mas que surpreende.

Ainda assim, o ponto fraco da trama é o drama. O roteiro de Chris Fedak combinado com a direção de Bay insiste em criar uma conexão com a audiência através de múltiplos e excessivos flashbacks, por muitas vezes se tornando cansativo e anticlimático. É compreensível, inicialmente, para que possamos entender a dinâmica entre os dois irmãos, no entanto, ao fim, se torna apenas algo apelativo e nada criativo.

Se o filme permanecesse na ação, ainda com suas frases soltas para causar o efeito cômico no filme (que, novamente, pecam pelo excesso), “Ambulância: Um Dia De Crime”  teria sido um filme muito melhor. Todavia, seu drama faz com que a audiência se desvirtue do que foi proposto. Em termos mais claros, o filme se torna um genérico “novelão”, tentando emplacar um patriotismo e heroísmo em um discurso, que foi no máximo um flerte, a escassez de apoio do governo aos veteranos. A melhor opção do filme seria se ele surfasse na superficialidade que o gênero de ação traz, focando em perseguições, armadilhas e confrontos.

“Ambulância: Um Dia De Crime” é um filme que peca pelos excessos. Excessos de humor fora de tempo, excesso de drama não convincente… Mas, garante aos amantes do gênero uma divertida experiência em uma perseguição de tirar o fôlego, principalmente quando os personagens acabam realizando uma cirurgia em um veículo em movimento ou quando precisam despistar a polícia. E são essas ferramentas que prendem o espectador, que nos faz retornar aos anos 90/2000.

O filme estreia nos cinemas em 24 de março de 2022.

Nota: 3/5

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