Euphoria conquistou um espaço enorme no coração do público jovem ao apostar em uma série com temas bastante atuais. A trilha sonora também reflete muito no que se escuta atualmente e seu flerte com maquiagens coloridas e tons de neon virou rapidamente um fenômeno entre o publico. No entanto, a segunda temporada abre mão dessas características para entregar arcos mais dramáticos e desenvolver novos e antigos personagens de forma mais profunda.
No último domingo (27), a série finalizou a segunda temporada com ainda mais drama, deixando vários ganchos e assuntos em aberto para serem resolvidos no terceiro ano da série.

Escrita e dirigida por Sam Levinson, Euphoria sempre da um show quando se trata de aspectos técnicos e é uma das séries atuais mais bem trabalhadas visualmente. No entanto, quando a temporada decide se aprofundar mais nos personagens fica nítido o quanto o roteiro da série tem se perdido em sua própria história e deixado enormes furos e situações sem resolução pelo caminho. Muitos episódios dessa nova leva estiveram dando voltas em si mesmo tendo avançado poucos passos de onde a trama se encerrou na primeira temporada, trazendo a sensação de correria nos episódios finais.
Em seu primeiro ano, enquanto contava a historia da protagonista Rue (Zendaya), a série destacou a evolução individual de personagens como Kat (Barbie Ferreira) e McKay (Algee Smith) que nessa temporada ficaram apenas em pequenas participações especiais. Principalmente a Kat que, mesmo presente em todos os episódios, não teve fala e no seu único momento em cena colocou a perder o desenvolvimento que havia conseguido. Já nesse novo ano a série destacou personagens antigos como Cassie (Sydney Sweeney), Cal (Eric Dane) e Lexi (Maude Apatow) e inseriu personagens importantes para a trama da protagonista, como Elliot (Dominic Fike) que vai de parceiro de drogas a melhor amigo, e Laurie (Martha Kelly) a grande fornecedora de drogas da cidade.

É uma temporada mais sombria em comparação com a primeira, uma vez que explicita ainda mais os dramas do luto, do abuso de drogas e dos relacionamentos problemáticos que permeiam a trama. Zendaya aqui brilha ainda mais mostrando que não só mereceu seu Emmy pela primeira temporada, como também merece um pela segunda. Especialmente o episódio 5 onde assistimos o caos e desespero que ela deixa para trás enquanto foge da família e da policia. Facilmente o melhor episódio e mais brilhante da temporada.
Esse episódio possui os 20 minutos iniciais mais tensos e angustiantes da série, um verdadeiro show de atuações entre Zendaya e Nika King durante o embate entre mãe e filha que, assim como na primeira temporada, é bastante real mas dessa vez aumenta a carga de descontrole, violência e intensidade, culminando em um dos momentos mais magistrais dessa segunda temporada.

Mas como nem tudo são flores, os defeitos de roteiro apresentados na primeira temporada ficaram difíceis de relevar aqui. Uma vez que entendemos que a história da série não é contada de forma linear e que possui a narração de uma personagem não confiável, automaticamente aceitamos que é comum algumas coisas se perderem na tradução. Mas nessa segunda ficou escancarado o quanto o roteiro precisa de atenção, foram muitas histórias deixadas de lado que faziam parte dos próprios arcos dos personagens e que no fim viraram cenas vazias só para causar choque, como a cena da tortura vivida por Maddy (Alexa Demi).
A total ausência de um arco para Jules (Hunter Schafer), que havia sido introduzido em seu episódio especial deixou um vazio enorme na trama. Uma vez que as atitudes da personagem desfizeram toda a evolução e mudanças que ela havia sofrido em seu episódio. Nesse temporada ela serve só como uma figurante sempre presente, mas sem espaço nenhum. Outras tramas sofreram desse mesmo mal do esquecimento como o abuso sofrido por Mckay, o aborto de Cassie e o débito de Rue.

O único arco que parece ter tido uma conclusão digna, embora nada justa, foi o dos irmãos Fezco (Angus Cloud) e Ashtray (Javon Walton) onde a sequencia final entregou um dos momentos mais tensos e assustadores de toda a série.
Sam Levinson mostra o poder que a série tem sobre seu público e entrega uma temporada com qualidade e excelentes atuações, que prendem o telespectador a espera dos próximos passos dos personagens.

O que sobra são as possibilidades de novas histórias e só nos resta esperar que 2024 traga as respostas que ficaram pendentes nessa temporada e que entregue um pouco de paz para os personagens mais sofridos dessa trama tão importante para os tempos atuais.
Todos os episódios de Euphoria estão disponíveis na HBO Max.




