Home / Séries / CRÍTICA | Segunda temporada de “Emily em Paris” é a prova de que até para o entretenimento vazio existem limites

CRÍTICA | Segunda temporada de “Emily em Paris” é a prova de que até para o entretenimento vazio existem limites

Embora a primeira temporada de Emily em Paris seja totalmente simplória e regada a todos os clichês que os anos 90 pode proporcionar, foi só quando a série foi indicada as grandes premiações que o debate sobre o seu merecimento entrou em destaque. É completamente comum a existência de uma série para assistir com “o cérebro desligado” a própria plataforma da Netflix tem várias assim e isso nem de longe é um problema, no entanto essa nova leva de episódios conseguiu fazer a ideia de entretenimento leve virar um pesadelo narrativo.

Personagem de Emily em Paris é eleito o pior na 2ª temporada - Mix de Séries

A primeira temporada tem a vantagem do deslumbre a seu favor, nela assistimos uma personagem estadunidense conhecendo uma cidade linda e diferente do que estava acostumada. Através dela vamos conhecendo uma Paris que sempre é retratada na TV, mas com a empolgação dela o telespectador se desliga e vai aceitando tudo enquanto Emily conhece os maiores pontos turísticos do país e tem acesso a alta moda, grandes artistas e importantes empresários.

No entanto a segunda temporada, ao perder esse fator de novidade, fica sem ter o que mostrar e se perde em um insuportável e exaustivo triângulo amoroso entre Emily (Lily Collins) Gabriel (Lucas Bravo) e Camille (Camille Razat). E ao longo de 10 episódios assistimos a protagonista tentar resolver os problemas causados por ela mesma sem sair do lugar. Se ao menos sua tentativa de resolução causasse novos problemas a série poderia ter algum ritmo, no entanto ela esta sempre em torno de si mesma e consegue a proeza de encerrar a temporada no mesmo lugar em que começou. 

Atores novos no elenco da segunda temporada de Emily em Paris

Ao tentar escapar desse triângulo Emily se envolve com outras pessoas, mas até a adição de Alfie (Lucien Laviscount) que deveria dar uma nova trama a personagem não funciona, parte porque todas as interações entre o novo casal tem o foco do triângulo original e parte porque por alguns episódios Camille sai de cena e Alfie a substitui como parte dessa dinâmica exaustiva.

A maneira em que a série em nenhum momento deixa recair sobre o personagem masculino a culpa por seus atos, em parte a pessoa mais errada da história também deixa a narrativa cansada, duas amigas brigam por causa de um homem que sai ileso e ainda é tratado como um objetivo a ser alcançado.

Emily em Paris' fica mais humilde e tem queda (literal) pelo estrangeiro -  Cultura - Estado de Minas

Nem o trabalho de Emily, que na primeira temporada ocupa todas as narrativas da personagem, teve espaço na trama. Totalmente esquecido e sem importância acabou sendo mais uma prova de que nada de fato aconteceu nessa leva de episódios. Nenhum personagem secundário conseguiu ter o mínimo de destaque, nem mesmo Mindy (Ashley Park) com a adição de uma banda conseguiu ir além. 

Obviamente não tem nenhum problema em uma história simples, cheia de clichê e leveza, até porque é uma fórmula que costuma funcionar. No entanto essa temporada consegue ser tão vazia e alheia a tudo o que está acontecendo no mundo que nem mesmo a ideia de entretenimento vazio encaixa mais. A sensação que causa é de algo desconexo e tão despretensioso que nem mesmo combina com a sua própria proposta. 

Emily em Paris consegue ser cansativa, trazer uma visão machista de relacionamentos e ainda estragas as poucas coisas boas que a primeira temporada entregou. A ausência de personalidade da protagonista deixa a história cansativa e tragável apenas pelos coadjuvantes já que a própria Emily consegue ser facilmente a pior pessoa dessa série. Mérito que fica pra Lilly Collins que consegue entregar algo bom no meio de tanta coisa ruim. 

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *