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TRI CULT | Sexta-Feira 13 e seu sucesso apesar do baixo orçamento

Nas décadas de 70 e 80, muitos filmes de terror se destacaram, ao ponto de serem cultuados até hoje. Fatores externos como, as primeiras locadoras de vídeo que foram criadas, e os aparelhos de videocassete se tornando mais comuns em casa, ajudaram a popularizar certos filmes na época. E essa transição de uma década para outra foi significativa para um subgênero do terror em específico, o slasher. Sexta-Feira 13 (1980) foi um filme que marcou muito essa fase, e foi extremamente bem sucedido, se tornando referência até os dias atuais. Mas será que ele merece todo esse crédito, ou simplesmente teve sorte por surfar na onda de uma época em que existia um interesse grande por assassinos psicopatas que massacravam suas vítimas com objetos cortantes?

O fato é que Sexta-Feira 13 definitivamente não foi o primeiro slasher, nem inventou grandes técnicas cinematográficas. Um outro grande clássico do subgênero, Halloween (1978) de John Carpenter, já havia utilizado o ponto de vista do assassino, no qual enxergamos o que Michael Myers está fazendo ou observando sem ver ele em si. Mas até mesmo o Carpenter havia utilizado esta técnica como homenagem a outro filme, Black Christmas (1974) de Bob Clark, do qual era fã. Ainda assim, mesmo sem inovar no quesito, é indiscutível que ter um assassino oculto ajudou muito no imaginativo do filme, pois só no final de Sexta-Feira 13 é que descobrimos quem foi o responsável pelas mortes.

A partir de uma trama simples – um acampamento considerado amaldiçoado por conta da morte de uma criança por afogamento, e no misterioso assassinato de dois monitores – Sexta-feira 13 instaura a questão do descuido e da despreocupação dos jovens. Quando anos depois, o acampamento está prestes a ser reaberto, os jovens Jack, Alice, Bill, Marcie, Brenda e Ned ignoram a má reputação, e decidem se divertir enquanto trabalham em Crystal Lake.

O filme trabalha de forma lenta nas mortes, mas não sem motivo. Pois o grande triunfo estava na crescente do suspense, fazendo com que fosse plausível os instrutores morrerem um por um no acampamento. Porém, se assistirmos com os olhares de hoje em dia, poucos sustos vão funcionar, provavelmente pela repetição marcada em filmes do gênero. Ainda assim, a ambientação e o clima vão construindo a sensação de insegurança do local, que prepara para os momentos finais.

A partir daqui, essa crítica contém SPOILERS

Algo bem marcado no filme são os estereótipos de personagens do subgênero, como a final girl (a última sobrevivente do massacre), sendo aquela personagem vista como pura e inocente na trama e por isso recompensada a viver, neste caso sendo a Alice. Também tem o casal que é assassinado após um momento íntimo, Jack e Marcie. Assim como Bill e Brenda que tem atitudes mais “promíscuas”, e Ned sendo o típico idiota e brincalhão, que acabam morrendo eventualmente.

E então, no último ato presenciamos a perseguição entre Alice e Pamela Voorhees, que acelera o ritmo do filme. Como de praxe temos uma confissão por parte da vilã, seguida do desenrolar da ação, nada fora do comum. Porém, nos minutos finais recebemos um jump scare muito convincente (possivelmente o melhor do longa), e uma cena que certamente funciona muito melhor assim que o filme acaba. Digo isso pois, ponderar se Jason ainda vive pouco importa para a o final da história, mas é um ótimo recurso para ocasionar reflexão e boatos por parte do público. Tanto é que, devido a este e outros fatores (como orçamentais), Sexta-Feira 13 conseguiu causar uma boa impressão suficiente para que fosse realizada uma continuação. Modificando a lenda de Jason para que houvesse um assassino vivo novamente, e trazendo consigo uma legião de fãs que viria a presenciar uma das mais extensas franquias do slasher.

Sexta-Feira 13 está disponível na HBO Max. Confira o trailer a seguir:

Nota: 3/5

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