CRÍTICA | Exército de Ladrões: Invasão da Europa é divertido, despretensioso e um ótimo prequel de Army of the Dead

Após o retorno de Zack Snyder no mundo dos zumbis com Army of the Deado universo de mortos vivos de Las Vegas se estendeu ao ganhar um filme prequel, focado no arrombador de cofres Ludwig Dieter (Matthias Schweighöfer), ou melhor Sebastian, antes dele se juntar a missão suicida.

Exército de Ladrões: Invasão da Europa não é exatamente necessário para a trama de seu antecessor, ele não acrescenta em nada no enredo da história principal, porém ele entrega o que cumpre desde do início: diversão e humor. Não espere saber algo a mais do filme de Snyder, agora, no filme de Schweighöfer, a nossa única missão é se apaixonar ainda mais por seu personagem.

O que vimos antes, o tom cômico que Ludwig carrega, seu carisma e um leve toque de ingenuidade é amplificado neste novo longa. A essência do personagem ainda é a mesma, se ele serviu de alívio cômico para o filme dos zumbis, nesse ele dita o ritmo da narrativa, que se mantém leve e engraçada na maior parte do tempo, até quando ele mesmo não está presente em tela.

Fica claro que a criação dos personagens e da formação da equipe é muito bem desenvolvida, criando laços convincentes e provocando situações dignas de todos os clichês de filmes de ação. E o filme assume isso! O fato dele não se levar tão a sério é o que faz funcionar. A narrativa flui brincando com estereótipos do gênero, conversando diretamente com o público (sem quebrar a 4ª parede, calma) ao colocar em prática algumas ferramentas que são geralmente utilizadas, seja na forma de contar a história ou no desenrolar dela.

Por mais que a ação e a comédia sejam os gêneros predominantes no filme, a história consegue inserir um pouco de drama na medida da certa para dar mais intensidade aos personagens e suas motivações, principalmente ao protagonista Ludwig, que é um bancário sozinho, sem família, com uma vida monótona e sem propósito. O que faz todo sentido entender o porquê seu hobby é arrombar cofres e porque topou ir em uma missão suicida.

Exército de Ladrões: Invasão da Europa ganha teaser pela Netflix - Cinema10

A equipe, por mais que não tenha ganhado um foco tão grande quanto do protagonista, também é essencial para o bom funcionamento da história. Nathalie Emmanuel, Ruby O. Fee, Stuart Martin Guz Khan compõem um time que não compartilha muito sentimento, porém de algum modo funciona com o elo gerado com o personagem de Schweighöfer. O desempenho de Jonathan Cohen, como o policial obcecado em prender a equipe lembra muito dos filmes de ação/comédia dos anos 80 que sempre carregavam neste personagem a comédia mais escrachada, seja em sua personalidade ou em suas ações impulsivas e desastrosas. A maior decepção foi a personagem de Noemie Nakai, outra policial, não ter sido algum tipo de agente duplo, já que a história parecia alimentar isso diversas vezes.

A direção de Schweighöfer foi primordial, ainda mais quando a importância de seu personagem transparecia, sendo capaz de fornecer um olhar único a paixão de Ludwig pelas histórias da criação dos cofres, e, principalmente, no momento em que ele está fazendo seu trabalho. Por mais que tudo pareça muito fácil e você se sinta capaz de arrombar um cofre também, tudo que é proposto é conveniente já que a história não promete entregar uma trama dramática e fiel aos detalhes de um assalto, ela tem o propósito de divertir a audiência, com o carisma de Schweighöfer em um enredo despretensioso e arrojado.

O que mais diferencia as duas tramas é o tom escolhido por cada uma delas, talvez se Army of the Dead não tivesse se levado tão a sério, inserindo dramas a todo momento, ele daria mais certo, ele seria como Exército de Ladrões. O filme consegue exprimir a melhor essência do protagonista e desenrolar uma história gostosa de assistir e que irá agradar a todos os públicos.  

Nota: 4/5

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