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CRÍTICA | “Only Murders in the Building” une comédia e mistério em uma das produções mais surpreendentes do ano

O improvável aconteceu. Neste ano, transmitido semanalmente no catálogo do STAR+, uma série protagonizada por Selena Gomez, Steve Martin e Martin Short foi capaz de reunir um trio inimaginável em uma história realmente surpreendente.

Only Murders in the Building conta a história de três vizinhos obcecados por podcast de true crime que resolvem criar o seu próprio programa após um assassinato acontecer em seu prédio. Em 10 episódios a série consegue destrinchar diversos mistérios vinculados ao principal, explorando gradativamente os personagens envolvidos na trama, de forma que todos acabam virando suspeitos eventualmente… até os protagonistas. E o mais interessante disso é que a série não se limita ao trio principal, o envolvimento dos demais moradores do prédio faz a série ser mais dinâmica e amplia seus horizontes.

Why Hulu's 'Only Murders in the Building' Went With That Confusing Title

No decorrer da série foi inevitável sentir uma certa semelhança com o clássico dos anos 80 “Os Sete Suspeitos“, que brinca em uma adaptação do jogo de tabuleiro Detetive em um filme que mescla comédia e mistério. No entanto, Only Murders in the Building foge um pouco da galhofa da comédia dos anos 80 (com exceção do episódio final, mas comento isso depois). O humor utilizado na série é bastante pontual e vem geralmente através de diálogos certeiros ou situações inusitadas através da gravação do podcast ou das investigações, que por mais absurdas que sejam funcionam perfeitamente dentro do que foi proposto.

Apesar do humor ser algo realmente positivo na trama, o mistério que carrega é um fator crucial para a série se tornar tão atrativa. Only Murders in the Building resgata aquele sentimento de acompanhar semanalmente uma série e correr para teorizar com seus amigos sobre quem é o assassino. A narrativa, extremamente fluída, não enrola o espectador em nenhum momento, cada episódio traz uma informação inédita acompanhado de um novo suspeito, o que faz a trama ser uma busca pela verdade extremamente divertida para o espectador.

Vale dar um certo destaque ao 7º episódio, responsável por ter uma das melhores trilhas sonoras em um episódio quase que completamente sem diálogo algum. Extremamente revigorante, nesta etapa da série somos acertados em cheio com a inteligência do roteiro em criar situações onde os personagens realmente não pudessem falar, acompanhando a perspectiva do único personagem surdo da trama. Fora o plot twist do final do episódio que mais uma vez deixa o espectador sedento por mais da história.

A criação da dinâmica do trio foi fundamental para a série dar certo, sem Gomez, Martin e Short Only Murders in the Building definitivamente não daria certo. Os três compartilham de um entrosamento invejável, cada um exalando personalidades bastantes distintas, o trio dita a energia que a série emite, tanto no humor quanto no mistério. O conflito de geração é um dos fatores que gera a comédia entre eles, porém não poderia deixar de exaltar o quão hilário Steve Martin foi no episódio final, entregando uma das melhores atuações de sua carreira, o ator foi ao ápice do seu desempenho na comédia.

Mantendo a audiência presa a história nos 10 episódios, a série finaliza com um gigantesto cliffhanger, nos deixando ávidos para uma segunda temporada (que irá acontecer!). Com maestria Only Murders in the Building cria uma série cheia de mistério, suspense e regada de um humor bastante único. A série faz algo que é incomum hoje em dia, ela é direta, além de ser coesa, seduz o espectador em uma teia de mistérios e não desaponta no quesito atuação, figurino e trilha sonora.

Nota: 5/5

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