Home / HBO MAX / CRÍTICA | ‘Duna’ é um espetáculo que não acontece

CRÍTICA | ‘Duna’ é um espetáculo que não acontece

Quando a adaptação de ‘Duna’ foi oficializada com Denis Villeneuve na direção, logo uma enorme expectativa foi criada sobre o filme. Honrando seu nome, Villeneuve não só entrega uma adaptação à altura do livro como também nos dá as boas vindas a um novo e formidável universo, no desejo de que ‘Duna’ se torne a mais nova franquia da Warner Bros.

O filme conta a história de “Paul Atreides (Timothée Chalamet), um jovem brilhante e dono de um destino além de sua compreensão. Ele deve viajar para o planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de seu povo”. Focado em seus sonhos, Paul entra numa verdadeira jornada para entendê-los, e somos convidados a acompanhá-lo.

Muito do que está posto aqui Denis já havia testado em alguns de seus longas anteriores e principalmente em ‘Blade Runner: 2049‘. O design de produção deste filme continua despontando como um dos principais marcos da equipe criativa que trabalha com o diretor, criando uma imersão e experiência poderosas através dos detalhes. Cada parte do cenário visto em tela é cuidadosamente posto ali e cria uma intimidade entre atores e objetos de cena, gerando nada menos do que um espetáculo cinematográfico capaz de se tornar clássico instantaneamente. O esmero da produção encontra ainda a fotografia incrível de Greig Fraser e a trilha sonora de tirar o fôlego do gênio Hans Zimmer, dois dos principais elementos de ‘Duna‘ e que o tornam tão épico.

O ritmo da trama é o já conhecido pelo público de Denis Villeneuve. Muito do que é mostrado em tela é na verdade um cuidado com a ambientação, por isso é de certa forma “contemplativo”, o que pode gerar as críticas sobre lentidão que perseguem o diretor. Um destaque interessante é o verme, uma das grandes ameaças da história. E trazendo tantas questões sobre seca, água, é impossível não pensar sobre a desmatamento e a escalada rumo à destruição do planeta que estamos vivendo. Incrível como até um livro da década de 60 já era capaz de prever isso e não fizemos nada.

Além disso, ‘Duna‘ conta com efeitos práticos e especiais que o tornam ainda mais “parrudo”. Você sente a ameaça que está sendo posta ali, sente que a guerra está próxima, sente o perigo e o caos desde o começo. As cenas de “guerra” são impressionantes, espetaculares e estão postas numa escala de proporções épicas. É também um longa bastante didático, embora muitas perguntas fiquem no ar.

Mas ‘Duna‘ possui um grave defeito: apesar de tudo, não acontece. Às vezes mais parece um trailer de duas horas e meia, um sneak peak do que está por vir do que um filme. É um prólogo. Ao se preocupar demais em apenas introduzir o Universo, o longa joga tudo para as continuações. Não há um início, meio e fim aqui, há apenas início o tempo todo, o que apesar de todo fascínio gera frustração e desapontamento. Ao construir esta nova possibilidade de franquia, o longa não poderia, sob hipótese alguma, se tornar refém do que virá, funcionando apenas como um vislumbre. Funcionaria como um capítulo 1 se este fosse uma série, não um filme.

Para se ter noção (ALERTA DE SPOILER ATÉ O FINAL DESTE PARÁGRAFO! Se não quiser ler, pule para o próximo), a personagem de Zendaya só aparece nos quinze minutos finais, e ainda solta a frase “esse é só o começo”. Soa até como um deboche ou disparate ao público que tanto esperou para apenas sentir “um gostinho”.

Sendo assim, Denis entrega um longa cheio de vida, de história e ação. Equilibrado entre os diálogos e as coreografias de luta, ‘Duna‘ encanta e traz reflexões sobre a vida e sociedade, como era de se esperar. Ainda assim, possui o único e grave defeito de apenas introduzir este universo, perdendo a chance de já entregar de verdade no primeiro capítulo. Um espetáculo que não acontece. Mas que deixa uma “vontade de mais”.

Nota: 4,0/5

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *