Se você gosta de Pânico, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e diversos outros slashers dos anos 90 e começo dos anos 2000, há uma chance bem grande de você gostar do mais novo lançamento da Netflix, Tem Alguém na sua Casa, lançado na plataforma de streaming na última quarta (6).
Apesar do nome de gosto duvidoso, o filme dirigido por Patrick Brice consegue divertir quem gosta do sub gênero do terror de maneira leve e mantendo o espectador em um terreno seguro e conhecido. Sem ser surpreendente, Tem Alguém na sua Casa é quase nostálgico, de tanto que tenta resgatar a sensação dos filmes de terror adolescente que víamos há 20 anos.
A história acompanha Makani Young (Sydney Park), uma adolescente que se mudou para a pacata cidade de Nebraska para morar com sua avó e terminar o ensino médio. Entretanto, quando a contagem regressiva para a formatura começa, seus colegas passam a ser perseguidos por um assassino com a intenção de expor seus segredos mais sombrios para toda a cidade. Com um passado misterioso próprio, Makani e seus amigos devem descobrir a identidade do assassino antes de se tornarem vítimas.(*)
Não podemos negar que o filme tem um imenso potencial de se tornar uma franquia promissora, visto que a essência da história não se prende a um assassino em si, e sim no seu ideal ou motivação para matar, como o Ghostface em Pânico, que mesmo sendo pessoas distintas em todos os filmes, ainda assim conseguiu manter a intenção de toda matança que se originou em 1996. Além disso, o método que o serial killer utiliza em esconder sua identidade, ainda que bem convencional (uma máscara) carrega sua originalidade, já que o assassino reproduz o rosto da vítima em uma tentativa filosófica de falar que ela é a causa da própria morte.
O roteiro chega a brincar com o espectador quando mostra que as duas primeiras vítimas se tornam quase que uma “justiça social”, já que são pessoas socialmente deploráveis, no entanto, na única vez que o filme surpreende a vítima é alguém do grupinho de amigos da protagonista, nos pegando de surpresa e adicionando até uma leve pitada de drama a trama.
Todavia, o filme não se mantém surpreendente a todo momento, pelo ao contrário, é bem previsível e mesmo que a narrativa nos guie a acreditar em personagens que aparentam ser obviamente o culpado, este é um recurso muito ultrapassado que acaba não funcionando mais em quem está acostumado a consumir filmes do gênero. Ainda assim, vale ressaltar que, por muita vezes o filme parece não se levar a série neste quesito, ele despretensiosamente brinca com algumas claras referências aos clássicos, jogadas de câmeras conhecidos e até mesmo a resposta da protagonista quando ouve a motivação do vilão, como se assumisse ser assim e esta é a intenção de fato.
Talvez o maior pecado do filme tenha sido inserir uma sub trama nada atrativa e que só deixa o espectador disperso, como o arco do segredo da protagonista Makani e o segredo que ao fim não gera impacto nenhum na história. A única serventia clara para todo um mistério que a cercou foi alimentar uma suspeita em um dos personagens que estavam na sua vida, porém fraca demais e totalmente dispensável.
Tem Alguém na sua Casa promete ser e entrega um filme despretensioso de adolescente cheio de mortes sanguinárias e um assassino que entrega um bom drama teen em uma corrida contra o tempo para guardar os segredos mais íntimos, garantindo um bom divertimento para quem gosta de slasher afim de passar o tempo. Ainda que não surpreenda e não seja inovador, o filme consegue executar muito bem o que foi proposto, se tornando uma ótima pedida para assistir com os amigos num fim de semana.
Nota: 3,5/5







