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CRÍTICA | James Wan traz em “Maligno” o bizarro grotesco em sua melhor forma

Não é novidade que o consagrado diretor James Wan gosta de colocar, de forma singela ou não, em suas obras referências a clássicos seja no enredo ou na construção de ambientes e movimentos da câmera. Ainda que o cineasta tenha se popularizado com trabalhos como “Invocação do Mal” e “Sobrenatural“, você deve esquecer deles ao começar assistir “Maligno“, porque neste novo trabalho Wan mostra um lado mais trash, gore e aterrorizante.

A história segue Madison (Annabelle Wallis), uma mulher que tem sonhos lúcidos com a morte de diferentes pessoas, até se dar conta que está de algum modo ligada a uma entidade maligna chamada Gabriel. James Wan resgata um sub gênero do terror que não vem sido bem aproveitado, pelo menos na última década, ao introduzir a excentricidade do bizarro nas revelações dentro da trama.

Em “Maligno” podemos ver claramente elementos slasher, referências a “Os Olhos de Laura Mars”, filme pelo qual disse abertamente ter sido influenciado, além de vestígios do cinema trash, sua introdução a fase giallo em sua carreira e até um grande flerte com sci-fi dos anos 80. O longa aposta fortemente em trazer diversos elementos clássicos ao mainstream, numa possível tentativa do diretor se desvencilhar dos trabalhos anteriores e abrir um novo horizonte dentro do leque infinito de possibilidades do terror.

James Wan ousa em explorar o bizarro, em certos momentos chega ser até divertido tudo que é proposto em tela, e ao mesmo tempo corajoso da parte do diretor de se arriscar em algo que parece sobreviver no sub mundo do terror.

O grande ponto positivo de “Maligno” vai para o roteiro em si, que prega peças ao espectador, provoca com sobrenatural e surpreende com o grotesco.  Em uma mistura completamente insana de experimentos científicos, flerte com sobrenatural e cenas sanguinárias, o filme prende sua atenção a todo momento. Creio que a cena do terceiro ato, na delegacia, foi uma das melhores sequência dos filmes de terror dos últimos anos.

É compreensível que o filme não seja completamente aceito ao público geral devido ao seu nicho bastante específico, com criação de momentos que podem causar desconforto a audiência que está acostumada com os novos moldes do cinema de horror, é evidente que este não se torne o trabalho mais popular do direito. Todavia, aposto minhas fichas que se tornará um clássico cult amado pelos cinéfilos daqui alguns anos. 

Maligno” acerta em ousar e chocar em uma história cheia de surpresas, cria ambientes fantasmagórico, mortes impactantes e sanguinárias, além de uma monstruosidade aterrorizante. Aterroriza em momentos precisos, consegue confundir o espectador (no melhor modo) e estabelece o retorno de um gênero ao cinema atual com maestria, se tornando o trabalho mais ousado do diretor. 

Nota: 5/5

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