O novo thriller cheio de ação da Netflix, estrelado por Mary Elizabeth Winstead estreou hoje (10) no streaming trazendo a jornada de uma habilidosa assassina, chamada Kate, que após ser envenenada corre contra o tempo em busca de sua vingança, em apenas 24 horas.
Com efeito nostálgico futurista o filme nos remete aos clássicos dos anos 80 que tentavam prever como seriam o futuro, nosso presente. Ambientado em Tóquio, a fotografia aposta no rosa e roxo para criar uma atmosfera quase cibernética, ainda que isso não tenha nada haver com a trama em si. Toda essa atmosfera criada em conjunto com as cenas de luta bem coreografadas e perseguição nos telhados, fazem com que gere um sentimento familiar e uma aceitação mais fácil ao filme, já que é um terreno conhecido e amado.
Em “Kate” não há novidades, o enredo não se preocupa em inovar ou trazer algo inédito para os espectadores. Apesar do terceiro ato apressado, não há muito o que dizer a respeito do roteiro em si porque é muito do mesmo que já vimos antes. A única missão do filme é entreter, em uma história que, ainda que genérica e previsível, consegue divertir e fazer o espectador se chocar a cada cena sanguinária de mutilação ou morte.
O filme todo gira em torno dessa sede por vingança que a protagonista tem por ter sido envenenada logo quando tinha tomado a decisão de mudar de vida. A busca em encontrar o culpado a tempo, não importando quantas pessoas mate, e ainda fazendo amizade durante o trajeto, é algo que já vimos antes em inúmeros filmes do mesmo gênero. O que faz o filme se desvencilhar dos demais é o protagonismo de Winstead.
Podemos dizer que Kate é quase uma versão mais sanguinária da Caçadora, personagem que Winstead viveu em Aves de Rapina, como se o filme anterior fosse uma preparação para viver a assassina sanguinária agora em 2021. Ou, quem sabe, uma versão mais adulta do que queríamos ter visto da personagem da DC.
Vale destacar a amizade criada entre Kate e Ani (Miku Martineau), que é o grande responsável pela leveza do filme. A interação das duas evolui de remorso a compaixão, capaz de gerar uma empatia pelo público que teme que a história de Kate se repita com Ani.
Os demais atores que compõem o elenco, como Woody Harrelson, Miku Martineau, Jun Kunimura e Miyavi cumpriram com o esperado em um filme deste gênero, entregando carisma e habilidades notáveis nas cenas que a ação reinava e até mesmo pequenas doses de humor quando necessário. Todavia, o que ganha destaque é o fato do filme não fazer o famoso whitewashing. Grande parte do elenco é composto por pessoas japonesas ou de ascendência asiática, não cedendo ao idioma inglês e tendo como grande parte do idioma falado o japonês.
É um fato incontestável que “Kate” faz parte do rol de filmes influenciados pelo sucesso de “John Wick“, já que entra nos mesmos moldes do sucesso de bilheteria estrelado por Keanu Reeves. Ainda assim, merece ter seu valor reconhecido ao trazer qualidade em um thriller de ação protagonizado por uma mulher habilidosa em uma outra cultura sem desrespeitá-la, e, infelizmente, isso não é algo comum hoje em dia.
Nota: 3,8/5












