O Gambito da Rainha é uma minissérie dramática lançada no final de 2020, produzida e distribuída pela Netflix. A série conta com Anya Taylor-Joy, atriz conhecida pelos seus papéis em Peaky Blinders e em Fragmentado, interpretando Elizabeth Harmon, uma enxadrista prodígio, que desde criança ganha inúmeras competições de xadrez.
A história se desenrola ao longo de 7 episódios muito bem escritos, fazendo com que uma história sobre xadrez seja recheada de tramas políticas e familiares, além de conseguir fazer partidas de xadrez acontecerem de forma rápida e entendível para pessoas completamente leigas no jogo (eu). A série conta a história de Beth Harmon entre uma partida de xadrez e outra, e faz isso de forma que nos importemos tanto com a personagem quanto com as partidas contra grandes jogadores.
A forma que a história é contada é intrigante, e consegue nos segurar por episódios longos. A vida de Beth Harmon é detalhada minuciosamente, desde sua infância até ser uma grande jogadora de xadrez. Se a personagem perdesse o controle por completo poderia ter sido o Coringa 2 antes de Cruella. Isso porque não existem cenas sem a personagem, que tem uma complexidade de personalidade invejável por outras produções da Netflix.

Beth é uma personagem extremamente complexa, que lida com problemas familiares, pessoas e profissionais. A série consegue passar a confiança e as emoções que Elizabeth Harmon lida de uma maneira que embala o telespectador nos momentos de voo e de queda da personagem. O enfoque é quase por inteiro na carreira dela como jogadora de xadrez e a relação dessa com as drogas, fazendo com que algumas das relações pessoais da personagem não sejam tão bem exploradas. A família de Beth, por exemplo, pode ser quase considerada uma história terciária para o enredo, mesmo sendo verdadeiramente emocionante.

Para mim, o maior problema da série acaba sendo a dificuldade de inserir os personagens de forma realmente significativa. Pelo alto foco em Beth, personagens incríveis como Benny, Jolene e Townes aparecem poucas vezes, são muito subutilizados e jogados pela história. Embora os amigos e oponentes de Harmon sejam interessantes e bem escritos, essa beleza criativa na existência deles acaba ficando de lado, principalmente para Jolene, que teria sido um refresco ótimo ao longo da série, porém aparece em poucos momentos e muito distantes um do outro.

Todas as performances dos atores são invejáveis e fazem as esporádicas aparições deles muito emocionantes. Thomas Brodie-Sangster e Harry Melling são nomes já conhecidos, o primeiro sendo Jojen Reed em Game of Thrones e o segundo é Duda Dursley na franquia Harry Potter, e ambos fazem o papel de rivais/mentores, em diferentes momentos da vida de Beth e em diferentes categorias de xadrez que a personagem participa. Moses Ingram interpreta a melhor amiga de Beth, e também faz um ótimo papel ao decorrer da trama, embora não apareça tanto quanto deveria.
Na parte técnica, a série dá um show, o que não é uma novidade para o streaming com mais tempo de vida atualmente e o primeiro a investir e se aperfeiçoar a produção de séries. A séria é linda, além de que todo o estilo dos anos 1950/1960 é bem interessante e colorido (quando precisa).
O Gambito da Rainha surgiu do nada, e é um respiro entre tantas produções ruins da Netflix atualmente. A série está concorrendo atualmente no Emmy 2021, na categoria Melhor Série Limitada ou Série de Antologia, ao lado de WandaVision e The Underground Railroad, Anya Taylor-Joy está concorrendo à Melhor Atriz de Série Limitada ou Filme para TV, Moses Ingram está concorrendo à Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Filme para TV, e Thomas Brodie-Sangster está concorrendo à Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Filme para TV.
Nota: 4,5/5


