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CRÍTICA | “The Chair” a dramédia que flerta com o surreal da nossa realidade

A nova série da Netflix, protagonizada por Sandra Oh, traz traz em uma grande dose de humor ácido inúmeros debates e cenários tão surreais e revoltantes, não só pela sua essência chocante, mas pela realidade escrachada em tela, que faz o espectador lembrar a todo momento da misoginia, sexismo e racismo dentro do meio acadêmico e também da cultura do cancelamento e a passibilidade do homem branco.

The Chair” é uma série bem curtinha, em apenas 6 episódios, de 20 minutos cada, a trama leva os problemas absurdos que desenrolam ao longo da história com leveza e um humor ácido regido por Sandra Oh. A protagonista toma para si a grande responsabilidade de ser a primeira mulher chefe do departamento de inglês da faculdade, sendo cobrada 5 (ou 20) vezes mais em seu cargo do que outro que já ocupou antes dela. Oh, neste papel, provou ser uma atriz versátil, capaz de solidificar sua carreira além de Grey’s Anatomy e se desvencilhar de vez disso. Ainda bem que nossa Doutora Yang seguiu a sua vida, porque senão não teríamos Sandra explorando novos ares e sendo excelente nisso!

O humor ácido da série habita realmente no absurdo, tanto nas acusações quanto na forma que o acusador se impõe. A série consegue abordar dois temas em somente um tópico, a cultura do cancelamento que tem apenas um alvo e não pessoas, e também a passibilidade do homem branco que presume ser um padrão correto a ser seguido e não consegue ao menos emitir um pedido de desculpas sincero sem ter seu ego machucado, e assim, achar que pode sair impune, porque assim que é a vida.

No entanto, não deixe se enganar se acha que a série é de toda militante, ela não é. Os personagens secundários fazem parte de um núcleo “humor cotidiano” que deixa o enredo mais leve, engraçado e desconstruído. O grande destaque vai para Holland Taylor, que assume o papel de uma professora que está na mira da aposentadoria compulsória (à força), acompanhado de inúmeras situações cômicas a atriz protagoniza uma cena-desabafo de tirar o fôlego, ao contar a sua história e como durante toda sua vida sofreu preconceito apenas por ser mulher, e o reflexo disso foi a privação do que era seu por direito profissionalmente.

A dupla imbatível, Sandra Oh Evelyn Carganilla, ganha um desenvolvimento delicioso de assistir. Interpretando mãe e filha, as duas conseguem entrar em um mundo onde não é muito explorado no audiovisual, a relação conflituosa que pode existir em laços adotivos. Evelyn faz uma garotinha que de início pode ser difícil de engolir, mas que ao longo da série ganha sua empatia e carinho, sem papas na língua e com tiradas geniais, a personagem é a alma do humor ácido que rege a série.

The Chair” também traz uma pitada de romance entre a protagonista e Bill, vivido por Jay Duplass. Porém, esse não é o seu forte nem seu foco. Por mais que a dupla tenha vivido mais desavenças e intrigas profissionais (mais da parte dele), a história consegue plantar o desejo de um “final feliz” mesmo que racionalmente impossível, isso se dá graças a química do casal que guarda uma memória afetiva e um desejo reprimido de anos.

Apesar do final ser questionável, em diversos modos, mas principalmente na motivação dos professores mais velhos e a posição da universidade que muda de repente como se o enredo inicial não tivesse acontecido, a série consegue chegar ao fim encerrando um ciclo com louvor. E, apesar de querer muito uma continuação, sua história consegue se tornar suficiente em apenas 6 episódios.

Nota: 4/5

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