A trilogia teen de comédia romântica que se iniciou em 2018 chegou ao fim. “A Barraca do Beijo” marcou a explosão de produções do mesmo gênero dentro do catálogo da Netflix, sendo a grande responsável por essa onda que tomou grande parte da lista de filmes originais do streaming.
Apresentando Elle (Joey King) e seu melhor amigo Lee (Joel Courtney), os filmes sempre trouxeram no centro de suas histórias a amizade problemática dos melhores amigos de infância. Desde do primeiro filme é abordado o vínculo inseparável que os dois compartilham, de um jeito não tão saudável assim, podemos rotular até como algum tipo de possessividade. E, infelizmente, isso não muda nem no terceiro filme.
A dinâmica do terceiro filme se resume na escolha da Elle em ir para Harvard ou Berkeley, ir para faculdade com seu melhor amigo ou com seu namorado. A necessidade que a personagem tem de agradar a todos menos à ela mesmo é sufocante e deixa a história frustrante, ainda que ao fim é impulsionado que a mesma pense primeiro em si… demora quase 2 horas para ela chegar a esta conclusão. E esta é a única coisa de diferente que o terceiro filme tem dos seus antecessores, porque tudo é literalmente igual.
Durante todo a trama observamos empasses e ferramentas na narrativa que já foram utilizadas anteriormente. A possessividade e a masculinidade tóxica dos homens que rodeiam a Elle ainda se faz presente, a falta de diálogo com todos os envolvidos é irritante, o retorno do affair para atrapalhar o romance principal mostra que o roteiro é extremamente preguiçoso e com escassez de criatividade.
O grande pecado de “A Barraca do Beijo 3” foi deixar de fora a diversão e tentar inserir tantos dramas desnecessários a todo momento apenas para preencher tempo de tela. Há meios mais plausíveis de abordar a escolha da universidade e o medo de relacionamentos a distância sem criar personagens com personalidades tão infantis. Nós vimos isso funcionar em “Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre” de uma forma totalmente diferente, o filme não precisou de intrigas vazias e comportamentos desagradáveis para a criação de uma narrativa conflituosa entre adolescentes.
O filme preferiu focar em pequenos enredos que eram literalmente cópia do que já foi apresentado no filme anterior, com personagens imaturos, é claro que, agora, com uma pitada de despedida e nostalgia. Isso só fez com que ele se tornasse cansativo e frustrante.
O lado bom disso tudo é que os personagens, por um toque de mágica, conseguem criar consciência de seus atos falhos e procuram evoluir, deixando até os ombros de Elle mais leves com tamanha responsabilidade que ela acumulava sozinha. A escolha do final foi um ponto extremamente positivo para a conclusão final da história, apesar de fantasioso aqui nós não vamos exigir muito de uma comédia romântica adolescente.
Talvez, um grande talvez, se o filme fugisse do óbvio, de colocar as mesmas ferramentas, como triângulos amorosos, segredos, ciúmes e brigas desnecessárias, a história funcionasse mais com o foco na dificuldade de despedidas e o desapego a uma fase da vida para iniciar outra. Os personagens tiveram 2 filmes para ter o seu amadurecimento, o terceiro filme deveria ser uma despedida da história não um remake de si mesmo. O filme acaba aproveitando apenas os minutos finais para apresentar o amadurecimento dos personagens que agiram feito crianças durante a trama inteira.
A trilogia “A Barraca do Beijo” pode ter funcionado como um coletânea divertida para passar o tempo, mas ao chegar ao seu último filme se torna difícil de assistir. É possível aproveitar a história se você é capaz de ignorar as mil problemáticas que a narrativa cria, talvez assim (repito: talvez) você consiga aproveitar e absorver a mensagem que o filme se esforça muito entregar: a de seguir o seu próprio sonho e não o de outro.
obs: tenho que elogiar o final com uma pitada de nostalgia, foi um grande acerto! (apesar dos efeitos com tela verde questionáveis)
Nota: 2,8/5












