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CRÍTICA | “Army of The Dead” e a criação de uma nova era de zumbis

O novo filme do Zack Snyder, “Army of The Dead: Invasão em Las Vegas“, estregou na sexta (21) na Netflix dividindo a opinião dos fãs e amantes dos mortos-vivos.

Protagonizado por Dave Bautista, o filme conta a história de um grupo de pessoas que aceita a proposta de invadir Las Vegas, que está cheia de zumbis, para roubar 200 milhões de dólares de um cofre antes que a cidade seja bombardeada em 32 horas pelo governo.

Os minutos iniciais do filme são o suficiente para o espectador entender qual será a dinâmica e o visual do longa a partir dali: caótico, sanguinário e bizarramente bonito. 

Army of the Dead': The Undead Have Taken Over Vegas in Zack Snyder's Return  to Zombie World [Trailer] - Bloody Disgusting

Não há o que se falar da estética do filme, a não ser elogios. Snyder traz o seu melhor ao criar mortes e desastres capazes de enojar os mais sensíveis. Não é à toa que o filme leva a classificação “proibido para menos de 18 anos”. Zack Snyder fez explicitamente, através dos zumbis, aquilo que The Walking Dead gostaria de ter feito e não conseguiu.

A construção da cidade de Las Vegas destruída, com personagens conhecidos da cidade, agora zumbis, e todo o caos em torno trazem a assinatura de Snyder, extremamente caótica e devastadora, e ainda assim bela. Não só nas cenas externas, o diretor também utiliza meios já conhecidos para promover cenas teatrais e majestosas em momentos rodeados de zumbis, dinheiro e os caças níqueis como cenário.

O filme também se destaca por sair do óbvio do “mundo pós-apocalíptico” e traz uma infestação de zumbi controlada e centrada em um único ponto do mundo. Isso faz com que ele consiga criar uma dinâmica entre os mortos-vivos (como a classificação entre eles, do mais forte ao mais fraco) mais fácil do que um mundo grande demais para ser explorado.

Army of the Dead' Review: Zack Snyder's Zombies in Vegas Heist Epic -  Variety

No entanto, a maioria dos seus personagens são mais caricatos que os próprios monstros. Carregados de frases de efeitos e histórias vazias, Snyder mostrou que o seu foco era explorar a possibilidade de zumbis inteligentes. Depois de quase duas décadas de “Madrugada dos Mortos“, onde os protagonistas eram sobreviventes desconhecidos, Snyder deixou claro que em “Army of The Dead” seus protagonistas eram os zumbis. 

Uma das críticas que o diretor sempre sofre, ele traz novamente em seu novo trabalho. A duração do filme. O longa é desnecessariamente longo, para um filme que pareceu explorar mais o sanguinário do que qualquer outra coisa, sem necessidade de profundidade de histórias, torná-lo uma produção de quase 3 horas é um exagero. Isso faz com que ele acabe se perdendo em determinados momentos, consequentemente perdendo o ritmo do filme.

Army of the Dead, Psycho Goreman: What to stream this weekend

Ainda que ele traga uma ação maior que o drama em si, um olhar político é inserido ao filme, e isso é um dos pontos positivos, ao lado da cinematografia e da criação dos zumbis. 

Army of The Dead” explora como o governo ou as pessoas em poder podem abusar em sua função e promover distinção de cidadãos simplesmente por discordar de você. Imigrantes, mulheres e crianças são as maiores vítimas retratadas no filme. Snyder conseguiu além disso retratar como o maior vilão ainda é a raça humana, ao fim quando sabemos que a intenção do empresário é criar um exército zumbi.

Entre o elenco, há de mencionar alguns destaques. Bautista entrega uma performance diferenciada ao que está conhecido no mainstream, prova que é capaz de entregar drama, e é uma das surpresas do elenco. Bem como Omari Hardwick e Matthias Schweighöfer, que protagonizam um bromancelove x hate“, servindo de alivio cômico a trama quando ficava intensa demais. Aos demais, brilharam em suas proporções, proporcionando uma sintonia a um grupo totalmente diverso.

Army of the Dead: Matthias Schweighöfer and Omari Hardwick on Their Bromance

Infelizmente, o final é apressado demais e não causa o impacto que ele deveria ter causado. Com exceção do alfa, os obstáculos são vencidos facilmente e tudo parece dar certo para os que sobreviveram. O fato de não terem conseguido atingir o objetivo inicial não chega ser um problema, porque é esperado em aventuras suicidas obstáculos que tiram as pessoas do trajeto original. E é exatamente que faz com que o filme perca a originalidade proposta inicialmente e se torne um grande clichê.

Apesar de alguns erros, “Army of The Dead” cria a possibilidade de uma nova era de filmes apocalípticos. E tenho a certeza que sua estética servirá de parâmetro para futuras produções do mesmo gênero. Ainda que clichê, em sua trama, o filme é inovador em sua cinematografia, caracterização e construção dos mortos-vivos. 

Nota: 3,9/5

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