O k-drama da tvN, distribuído internacionalmente pela Netflix, “Vincenzo”, se encerrou neste domingo (02) com um episódio capaz de destruir toda a sua audiência.
Estrelado por Song Joong Ki, Jeon Yeo Bin e Taecyeon (do 2PM), o drama teve 20 episódios ao todo e ficou no ar por aproximadamente 2 meses, mantendo uma audiência com o interesse pela história a todo momento.
“Vincezo” conta a história do advogado italiano e consigliere da máfia Vincenzo Cassano, que viaja para a Coreia devido a um conflito dentro de sua organização e acaba se envolvendo em tramas que requerem que a justiça seja feita com suas próprias mãos.

Há de se destacar que Joong Ki foi fenomenal como o mafioso Vincenzo, não há dúvidas quanto a isso. Seu personagem, ainda que sádico, era carismático e conseguiu conquistar na sua primeira cena. Porém, quem rouba a cena em “Vincenzo” é Taecyeon, como o psicopata Jang Jun Woo.
Taecyeon mostra duas facetas no drama, a principio como um estagiário bobinho e bonzinho e depois como um verdadeiro vilão sanguinário e sem piedade alguma. Há uma progressão do seu ódio e desejo de combate com o seu antagonista, Vincenzo, um desejo doentio de matança e uma cegueira que acaba o destruindo. Grande parte do sucesso do desenvolvimento de seu personagem foi graças a atuação de Taecyeon, o ator mostrou uma das suas melhores performances de sua carreira em “Vincenzo“.

No entanto, ainda que antagonistas, Vincenzo não é o mocinho, e ele deixa isso claro desde do primeiro minuto até o minuto final do drama. Em “Vincenzo“, não há mocinho, somente vilões. Podemos chamar nosso consigliere, talvez, de anti-herói, mas mocinho ele definitivamente não é. E por mais que ele faça justiça e puna as pessoas “más”, o drama acaba eventualmente botando moral do espectador em jogo. Estamos torcendo por alguém que faz justiça com as próprias mãos? (tudo culpa do joongki)
Aqui não há um código moral de ética, não há um juramento sagrado como o Batman. O que existe é apenas o desejo de erradicar e cortar o mal pela raiz.

É possível acompanhar o desenvolvimento do verdadeiro “eu” de Vincenzo com o passar dos episódios. No começo seu personagem agia como uma “brincadeira de criança”, com ameaças e truques, mas chega um determinado momento em que conseguimos ver o pior da máfia que habita dentro dele. O drama não se omitiu ao retratar mortes sanguinárias, torturas bem elaboradas e maquiavélicas.
Talvez o único defeito de seu personagem foi a falta do contraste de culturas, visto que ele cresceu na Itália. No entanto, não houve sequer choque de costumes, como por exemplo em suas relações pessoais, por muita das vezes parecia que ele havia sempre morado ali.
A carta na manga do enredo foi que: eles prepararam e desenvolveram tão bem os “vilões” do dorama ao ponto de não sentirmos nenhum dó ou piedade perante a cenas que são extremamente fortes, como a tortura final. Não é como se eles normalizassem tal conduta, mas foi dado um caminho que o resultado não poderia ser diferente daquilo. Foi como se o enredo tivesse nos preparado de forma gradual para a cena final.
Quanto aos personagens secundários… eles foram nada além de excepcionais. Criados como um alívio cômico da trama, que podia ser por muitas vezes pesada, eles foram a dose perfeita para equilibrar o tom da história. Cada um com sua história e seu passado contribuíram para o desenvolvimento do enredo principal, por mais que as vezes forçassem um pouco a barra (por exemplo: quais as chances de todo mundo em um prédio saber lutar muito bem?).

Há muitas surpresas em “Vincenzo“, como traições e novas alianças. Mas, talvez, a melhor e maior delas seja Kwak Dong Yeon como Jang Han Seo. O ator conseguiu tomar seu lugar ao sol, marcar sua história e se tornar um dos mais bem desenvolvidos da trama.
Quanto ao romance, se você procura e acha que isto é essencial para um k-drama, “Vincenzo” não é pra você. Romance não é o foco, nem o objetivo da trama principal, há mais companheirismo do que romance propriamente dito. No entanto, ainda assim a química entre os envolvidos é visível e ele é alimentado sutilmente até o ponto de ser explícito a tensão que existe entre os protagonistas.

Ao fim, história provou que é possível torcer pelo mafioso, e isso faz questionar nosso poder de sermos persuadidas. Ainda que ele tenha mostrado que não tenha mudado, que seu papel ainda é o mesmo, o sentimento que a audiência tem pelo anti-herói continua o mesmo.
Não se engane, apesar dele extrair o melhor dos seus aliados, Vincenzo ainda se considera um vilão, até porque ele não utiliza os meios convencionais…
Ao longo dos 20 episódios, “Vincenzo” conseguiu desenvolver seus personagens, os elevando a um patamar diferente e surpreendente. Em sua história, conseguiu manter um ritmo constante, sem se tornar cansativo, e ainda aproveitou para fazer críticas sociais (cabíveis até a nossa realidade). Além de tramas sanguinárias e vingativas, a história entregou um drama emocionante, capaz de arrancar muitas lágrimas. E por isso, conquistou grande parte, senão todo, público que o acompanhou, deixando com um gostinho de quero mais.
Nota: 4/5




