Druk – Mais uma Rodada é um filme dinamarquês dirigido por Thomas Vinterberg, que concorreu nas categorias de melhor direção e a melhor filme internacional no Oscar, e ganhou a estatueta de melhor filme internacional. Sua história, de maneira simplificada, é sobre um grupo de professores escolares fazendo uma experiência sobre o uso de álcool como um estimulante da experiência humana.
A pesquisa feita pelos personagens se trata de um teste sobre a hipótese do psiquiatra Finn Skårderud, que teorizou que o ser humano possui o teor de álcool no sangue 0,05 menor do que deveria, e que por esse motivo, beber diariamente para manter o teor alcóolico do sangue da maneira desejada faria com que os personagens se tornassem mais vivos e produtivos.

Em Druk – Mais uma Rodada acompanhamos a transformações de homens cansados, indispostos e indiferentes com a família, o trabalho e a vida. O protagonista, é Martin, interpretado por Mads Mikkelsen. Martin é um professor de história, vivendo um casamento frio com dois filhos adolescentes e incapaz de voltar a ser o professor que era, vendo no álcool uma ferramenta para se reconectar com o mundo e voltar a ter seus laços com as coisas que ama reconstruídos.
Vemos aos poucos personagens desanimados ganhando energia, melhorando sua vida pessoal e profissional, para passar dos limites e talvez perder as melhorias conquistadas. O assunto é tocado de uma forma delicada, nunca se tornando desconfortável demais, e sempre lembrando aos telespectadores que o caminho que os personagens tomaram foram muito mais de percas que de ganhos.
Lembrando que o filme foi indicado a melhor direção, deve ser analisada a forma como Thomas Vinterberg controla o filme, com seus cortes, suas explicações, o foco nos personagens e principalmente o caminho que as atuações tomam. Não é de se espantar que o longa dinamarquês tenha recebido essa indicação, uma vez que a direção sóbria do diretor faça com que por vezes o longa ganhe cara de documentário.
O filme trilha o caminho da tragédia de uma forma séria, e com momentos cômicos que servem não apenas como um momento de respiro, mas a indicação que nem sempre o problema se apresenta de forma agressiva.
Por não tentar ser grandioso, Vinterberg entrega uma narrativa intrigante, com muita emoção e com uma mensagem poderosa sobre os efeitos do álcool. O filme não é uma denúncia nos moldes comuns, por vezes parecendo inclusive uma grande propaganda de vinho e vodka, talvez o objetivo do diretor. O estranhamento e a confusão de não entender qual o caminho os personagens e principalmente o diretor querem passar é angustiante e inteligente.
Druk – Mais uma Rodada, é ótimo filme sobre o uso de álcool excessivo, e sua história que usa um experimento científico consegue fazer com que a narrativa seja contada e explicada de forma que o telespectador consegue sentir a dor e o sentimento dos personagens de forma magistral. Thomas Vinterberg mereceu a indicação à direção, e na minha torcida está atrás apenas de Chloé Zhao com Nomadland.
Nota: 5/5


