CRÍTICA | Tigre Branco é a típica jornada do herói deturpado indiano

A princípio, pelo título e sinopse, Tigre Branco não tem apelação nenhuma ao público, mas bastam 20 minutos de filme para sermos fisgados a uma história rica de um conto de fadas colérico indiano.

De início, conhecemos Balham (Adarsh Gourav) rico, com seu pequeno império, empresário de sucesso na cidade de Bangalore, e através dele, somos levados a sua trajetória, como uma espécie de documentário autobiográfico, ele conta como deixou de ser uma criança pobre sem destino, para se tornar motorista de Ashok (Rajkummar Rao), sucessor de um poderoso figurão local.

Ao longo das suas 2h 5m, o filme vai mostrando Balham conhecendo o mundo fora de antiga realidade. Como ele mesmo satirizou, ele era apenas mais uma galinha em um imenso galinheiro, pronto para ser abatido.

A direção do Ramin Bahrani é surreal! O jogo de câmera, as locações, a sensação de claustrofóbica diante ao transito caótico da Índia, o calor transmitido pela fotografia é impressionante. Além de arrancar interpretações notáveis do elenco de apoio que não tinham experiências com atuação.

Com um olhar superficial, o enredo pode parecer uma realidade distante, mas se prestarmos atenção a nossa volta, podemos traçar um paralelo com a situação atual, se substituímos a casta relatada no filme, com a desigualdade social hoje no brasil, onde as famílias mais humildes têm a dificuldade de alcançar cargos mais altos na sociedade.

O ponto negativo é a já cansada síndrome de “White Savior” que no longa, é representado pela personagem Pinky Madam (Prynka Chopra Jones) que se esforça para tratar Balham de forma de igualdade, com princípios éticos trazidos de sua longa estadia, adivinha onde? Estados Unidos da América.

Tigre Branco é uma das surpresas do Oscar, está concorrendo ao prêmio de melhor roteiro adaptado, e não será nenhuma surpresa, se ele levar a estatueta, o roteiro é super amarrado, escrito pelo próprio diretor, baseado no best seller de mesmo nome de Avarind Adiga.

Tigre Branco está disponível na Netflix

Nota 4,75/5

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