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CRÍTICA | “The Boys in The Band” prova mais uma vez ser uma história atemporal

Inspirada na peça de mesmo nome dos anos 60, “The Boys in The Band” estreou no último dia do mês de setembro na Netflix, com grandes nomes no elenco como Matthew Bomer, Jim Parsons, Zachary Quinto, Charlie Carver, Michael Benjamin Washington, Tuc Watkins, Brian Hutchison e Robin de Jesús.

Pela primeira vez a história contou no elenco somente com atores homossexuais, diferente da sua peça original, que por mais que tinham em sua maioria homens gays, três atores eram heterossexuais e arriscaram suas carreiras na época ao dar vida a essa história. 

The Boys in The Band” conta a história de 7 amigos homens gays que se reúnem em um apartamento em Nova York, em 1968, para a comemoração do aniversário de um deles. Porém, toda dinâmica previamente combinada muda drasticamente com um convidado surpresa, que é hétero (há controvérsia) e cheio de segredos. A mistura de muita bebida e dores acumuladas viram a receita para o caos emocional.

Ator de The Boys in the Band se apaixona por colega de cena

O título pode te levar a crer que o filme seja algum tipo de musical, mas, ainda que aconteça algumas cenas de dança e cantoria descontraída e arranque algumas risadas, o humor serve apenas para aliviar o assunto principal: a maior dificuldade de uma pessoa gay não é a aceitação do outro, e sim, a sua própria aceitação. Em diálogos ágeis, inteligentes e profundos, o enredo afirma que a autoaceitação é uma caminhada árdua e que nem todos levam o mesmo tempo de assimilação.

Os personagens são basante singulares e com personalidades fortes o que resulta em um grupo bomba-relógio, prestes a explodir em drama, lágrimas e frustrações. 

A maior beleza dessa história é que, por mais que ela tenha sido escrita nos anos 60, com sua estreia precisamente em 1968, a sua mensagem ainda se faz viva e atual no presente, em jovens de outras gerações e de gêneros distintos. Jovens que anseiam pela autodescoberta e a autoaceitação como se isso fosse a única resposta e solução em suas vidas.

Trilha Sonora: 13 músicas presentes no filme "The Boys In The Band"

A caracterização dos atores e do cenário é incrivelmente impecável, a atenção aos detalhes foi crucial para transmitir a obra ao tempo original de sua criação. A escolha de ter somente um cenário principal, o apartamento de Michael (Jim Parsons), para a maior parte da história fez o enredo se aproximar de sua obra inspiradora, a peça teatral, e também se tornar algo mais íntimo e aberto a conversas que geralmente são tidas em portas fechadas.

No entanto, foram as atuações que roubaram a cena, literalmente. Não há mediocridade muito menos algo esquecível e descartável. Cada um dos atores que contribuíram para a história, na escala que for, foram de um talento e competência jamais vista em dramas similares. 

A dinâmica entre o elenco deve se dar graças a sua experiência nos palcos em 2018, quando reviveram a peça de 1968. A mesma dinâmica se transportou para o formato cinematográfico de modo que é facilmente crível que aquele grupo de homens são amigos há décadas.

Crítica | The Boys in the Band

A fotografia nas cenas em que a história estava sendo narrada, criou uma atmosfera em total contraste a da história principal, serviu como uma ótima ferramenta para transformar o filme em pequenos e curtos episódios de histórias que emocionam e espelham na realidade de pessoas cuja vivência se assemelha a deles. 

Uma coisa há de se entender em “The Boys in The Band“, esta não é uma história convencional sobre descoberta ou sobre amigos homens-gays. Esta é uma desmistificação de que todo gay se descobriu da mesma forma, na mesma época e que tem a mesma aceitação e vivência. Cada um leva sua dor, repressão e negação. Cada um projeta um futuro sobre si e sobre outros de maneira diversa aquele que acredita ser parecido com você. 

Em todos os cacos espalhados, de dores vividas e amores repreendidos, o grupo de amigos consegue demonstrar algo em comum: todos querem ser amados. Em formas diferentes.

Gay Dinner Party Turns Chaotic in First 'Boys in the Band' Trailer

Como a história se passa nos anos 60 o comportamento de medo e repreensão que eles sofrem é demonstrado através de suas atitudes contidas quando em público, seu preconceito instaurado em camadas não perceptíveis e seu poder de camuflagem quase infalível. E ainda assim ele não é algo ultrapassado. Cada um dos personagens representa alguém que você conhece, já conheceu, vai conhecer, ou ainda vai descobrir que é você. Presumindo que você esteja inserido na comunidade. E é isso que faz a história ser atual, o seu choque de realidade com os comportamentos vindo dos próprios protagonistas. Seus julgamentos preconceituosos e amargos, sua preocupação excessiva com a beleza e a negação constante em estar envelhecendo. 

Talvez seu único e maior defeito foi não ter sido indicada a todas premiações cabíveis, tanto como uma obra como um todo quanto as performances singulares de cada ator que compôs o elenco.

The Boys in The Band” está disponível na Netflix.

Nota: 5/5

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