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CRÍTICA | ‘Imploding The Mirage’ traz The Killers em boa forma




Lançado na última sexta-feira (21) o sexto álbum de estúdio de The Killers havia sido apontado por alguns como uma quase continuação do Wonderful Wonderful (2017), já que este primeiro, marcado por tristeza, foi lançado durante a luta da esposa do vocalista Brandon Flowers, Tana, com um transtorno de estresse pós-traumático, e o novo trabalho é perpassado por um “sentimento” de alegria. Depois de um primeiro contato mínimo com o disco, a afirmação não poderia ser menos óbvia. Imploding The Mirage recupera o fôlego e o indie rock dançante que trouxe The Killers à tona, mas não como uma banda que emula a si mesma e se torna cansativa. Os toques sutis funcionam num disco que não tem vergonha de ser o que de melhor The Killers é.

A guitarra do co-fundador Dave Keuning, que está em um “hiato” da banda, é o elemento que mais faz falta, já que este é o primeiro disco sem o músico, no entanto, o baixo de Mark Stoermer supre um pouco o espaço deixado nas músicas em que este participa – sim, grande parte do baixo do disco não é gravado por ele, restando apenas dois dos integrantes originais em 100% do disco. E se o começo do trabalho com My Own Soul’s Warning já mostra bem o que podemos esperar, há muitos outros momentos de brilho ao longo das dez canções – esse é o álbum com menos faixas da banda em alguns anos. As já lançadas anteriormente Caution e Dying Breed são bons destaques, mas todas as canções mantém o disco num ótimo e balanceado ritmo. My God, que conta com a participação de Weyes Blood, é simplesmente irresistível e uma grata e inusitada surpresa. Brandon e Weyes parecem bem a vontade e o resultado é uma colaboração que casa bem os timbres de ambos – falando em timbre, a nostalgia é uma das apostas do grupo no trabalho, e isso fica estampado com os sintetizadores que trazem os anos 80/90 de volta. A música Imploding The Mirage é uma ótima conclusão.

 

A guitarra característica da banda em alguns momentos, o vocal agudo e o timbre conhecido de Brandon, a bateria potente, o baixo – mais pontual que antes, o sintetizador com aquela sensação de suspensão, o teclado, melodias e os compassos bem marcados capazes de deixar qualquer um sedento por uma boa dança pela casa: tudo está lá. As letras continuam falando de temas variados, mas o “amor” e questões sobre a própria existência continuam bandeiras firmes. Segundo o vocalista, uma curiosidade sobre a produção do álbum é a capa que foi colocada em paredes durante a produção para ajudar no trabalho. Os músicos são artistas natos, mas esses quadros como lembretes poderiam ser uma síntese do próprio trabalho, que parece ter ficado ainda mais claro na cabeça dos músicos.

Não há glória maior neste disco, no entanto, do que o mérito de ser bem The Killers. A banda parece ter feito o dever de casa, investiu no que sabe fazer e faz bem, mas sem cair na mesmice, pelo contrário, explorou dentro da zona de conforto tudo aquilo que a consagrou, toda a sonoridade rica que é capaz de produzir sem cair num marasmo. Imploding The Mirage nunca foi promessa de revolução na sonoridade do grupo: é um álbum a altura de uma das maiores bandas dos últimos anos, mais forte, renovada e dona de si do que nunca. É no mínimo interessante que um álbum sem praticamente dois dos integrantes originais tenha realmente conseguido imprimir o DNA do grupo, como Flowers afirma que tentou. Mais que isso, interessante como o resultado tenha sido capaz de agradar aos fãs mais sedentos e nostálgicos do grupo e aos mais recentes, vindos do Battle Born (2012) pra cá, por exemplo.

Resta a você, querido leitor, apenas uma alternativa possível diante desse novo disco, gostoso de ouvir: apertar o play e dançar. O álbum já está disponível em todos os serviços de streaming e no Youtube.

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