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CRÍTICA | “O Resgate”, com Chris Hemsworth, é um bom divertimento ainda que raso

Em uma tentativa de aprimorar e elevar a qualidade de seu catálogo, a Netflix  vem procurando investir cada vez mais em filmes variados em seu catálogo de produções originais.

Dessa vez, o serviço de streaming lançou um produção super elaborada estrelada por Chris Hemsworth (Thor), dirigido por Sam Hargrave e produzido JoeAnthony Russo (responsáveis por diversos filmes dos Vingadores).

Nesta sexta (24), os assinantes do serviço puderam acompanhar a história do mercenário Tyler Rake (Chris Hemsworth) em uma missão para liberar um garoto indiano que é mantido refém na cidade de Dhaka.

O longa tem como cenário as belezas naturais da Austrália e a agitação da Índia, o contraste perfeito e filosófico que combina com o protagonista de certa forma. Logo de início podemos ver que o quanto o Tyler tem de habilidades extraordinárias tem de traumas psicológicos. Durante o desenrolar da história podemos acompanhar e deduzir através de flashbacks que a sua vida entrou em ruína e agora ele vive apenas através de memórias distantes.

Infelizmente tudo que sabemos sobre o protagonista se encerra aí, mesmo com uma conversa de coração aberto com o capturado Ovi (Rudraksha Jaiswal) ainda surge um nublina em cima de sua história e faz com que a explicação seja corrida e rasa, transformando o filme num longa superficial apenas sobre um resgate em terras indianas.

Não que isso seja algo totalmente ruim, e de fato não é. O filme se vende como uma produção de ação-perseguição nível Hollywood e consegue entregar exatamente isso. Na verdade, ele segue a risca o padrão hollywoodiano de um único homem branco sendo o grande salvador em outra nação.

A direção fenomenal de Hargrave é a grande responsável pela qualidade do filme, além das habilidades coreografadas de Hemsworth e a combinação com os cenários rústicos das periferias indianas. Perseguições, lutas corpo-a-corpo e mortes sangrentas é algo que não falta nesse filme.

Os elementos já conhecidos entre amantes de filmes de ação estão presentes em Resgate, é claro que com o aperfeiçoamento necessário. Diálogos engraçados para quebrar a tensão à flor da pele, posicionamento de câmeras que trazem uma imersão a história inacreditável, estão presentes no longa.

A combinação Rudraksha Hemsworth foi uma surpresa positiva. O desenvolvimento da dupla improvável, mercenário e resgatado, rende cenas engraçadas e emotivas. Ainda que o ator indiano não tenha tanta visibilidade na história como o protagonista, seu papel foi essencial para a trama e o desenvolveu com louvor.

Ainda que eu acredite que a história seja rasa, até na construção do antagonista/vilão, seria injusto dizer que o longa não promove emoções em determinados momentos. É possível se emocionar ou até ficar levemente tocado com o rumo da história e de acontecimentos cruciais, ainda que seja previsível para algumas pessoas.

Da sua maneira, Resgate, mesmo que com uma história rasa, não perde a qualidade que carrega. É um ótimo divertimento e traz o melhor de Hemsworth  em suas atuações mais intensas, mesmo que apenas fisicamente. Se você procura algum filme para preencher o dia ou até mesmo ver com os amigos, este pode ser uma boa indicação.

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