A série espanhola que conquistou uma legião de fãs com seus mistérios, sedução e assassinatos voltou com uma nova temporada nesta sexta (13).
Elite retornou com os protagonistas que já vimos nas duas temporadas anteriores (aliás, as críticas da primeira e segunda temporada estão disponíveis) mais dois novos personagens para integrar a história. Yeray (Leïti J. Sene) e Malick (Sergio Momo) (falamos mais deles aqui) vieram como um suporte para explorar novas facetas de Omar e Carla, respectivamente, mas isso vamos deixar pra comentar depois.
A história da terceira temporada ainda tem reflexos dos acontecimentos da primeira, sim a morte de Marina. Polo se safou e agora? Esse é o grande X da questão. Já era previsível um garoto rico e branco se livrar de um crime como esse, não só com sua influência financeira mas também sobre seus colegas, mesmo que indiretamente. Afinal ali, todos são uma família, como Lucrécia mesmo diz.
A jornada de Polo e sua falta de redenção ou remorso foi coerente com a personalidade do personagem, mas não posso dizer o mesmo de outros. Guzmán e Samu vivem extremos que não condizem com a história que foi construída até aqui. Depois de passarem os episódios iniciais reagindo de forma coerente com o choque da liberdade de Polo ambos seguem caminhos distintos. Enquanto Samu vive em uma obsessão infundada, Guzmán passa a tranquilidade de alguém que já seguiu em frente. A série tenta colocar como desculpa a condição atual de Ander, mas não cola.

Uma das tristezas da série foi a confirmação do papel de Carla. A personagem só vive à mercê de algum homem. Quando não foi de Polo, foi de Samu, ou de seu pai, ou de Malick. A característica da primeira temporada que a personagem tinha onde conquistava e usava homens como peças de um jogo particular foi jogada no lixo. Nesta temporada Carla foi uma prostituta que foi manipulada por todos homens que passaram em sua vida. Apesar de ter um desfecho satisfatório foi bastante doloroso ver esse declínio.
No entanto, Elite não decepciona em saber explorar e causar sentimentos distintos por personagens que você achava conhecer inteiramente. O que mais me admira na série, até o momento, é a habilidade de navegar sobre camadas e mostrar que ninguém é 100% bom ou ruim. Todos são seres humanos falhos. Não há mocinhos ou vilões nesta história. Há hipocrisia, dor, amor, erros, acertos e verdade em seus sentimentos.

Apesar da história principal ser a caminhada de Polo no corredor da morte, outros personagens brilharam individualmente mostrando um desenvolvimento louvável. Um deles foi Lucrécia. De garota fútil e mimada a mulher emponderada que empondera outras mulheres. O papel de Lu nesta temporada, mesmo que singelo, foi marcante e a consagrou (pra mim) como uma das personagens favoritas da trama, seu amadurecimento e desenvolvimento a fez brilhar.
Além de, é claro, todo talento e carisma da atriz Danna Paola que protagonizou cenas cômicas e dramáticas, todas marcantes.

Em contraponto, Omar demonstrou outro lado. Um desprezível e decepcionante. O personagem conseguiu tirar a manta de bom moço que haviam colocado nele nas temporadas anteriores e se mostrou mais real com seus erros, por mais grotescos que fossem. Apesar de ter algum tipo de redenção, o personagem foi mais desenvolvido e elaborado neste temporada por causa de seus erros. O que nos rende uma história que mexe conosco e nos entretém.
Rebecca e Valerio também foram destaques nesta temporada, não tiveram mudanças drásticas mas cativaram os espectadores mostrando mais sensibilidade e dinamismo entre si e com os outros.
Agora, sobre os personagens novos, poderia resumir em apenas uma coisa: não fizeram nenhuma diferença. Como disse anteriormente, Malick e Yeray chegaram na história para dar suporte a histórias secundárias, explorar mais de outras facetas de Omar e Carla. No entanto, eles foram totalmente descartáveis e monótonos. Uma grande decepção, visto que foi um mau uso de personagens novos. Yeray foi um homem inseguro e chato que serviu para Carla se prostituir e depois conseguir sua liberdade. E Malick foi o empurrãozinho que Omar precisava para mostrar suas falhas e incertezas mas que no fim não havia nada mais a acrescentar.

Um dos pontos ruins da série foi os furos que deixou na história. Algumas coisas simplesmente foram deixadas de lado, por pura preguiça ou descuido. Não sabemos mais do paradeiro de Christian, Carla não sofre consequências de ter cometido perjúrio… Como Samu se sustenta morando sozinho e sem trabalhar? Essas são apenas algumas indagações que a série deixa, de várias. Infelizmente essa também foi a temporada que teve menos atenção aos detalhes.
Podemos chegar a conclusão que a terceira temporada soube encerrar histórias com emoção e surpresas. Ao contrário da segunda temporada, nesta ganhamos um episódio final de tirar o fôlego. Não digo só por causa da descoberta de quem foi o assassino, porque este não é de longe a maior surpresa, mas sim da forma como foi conduzido (após a descoberta). Além disso, o desfecho de cada personagem, a forma como seguiram em frente e como estão abertos a novas histórias…arranca algumas lágrimas.

Deixando um pouco as tramas mais adultas e pesadas de lado, esta parte da história abordou em peso a amizade. Novos laços foram criados e antigos foram fortalecidos.
Apesar de alguns tropeços, a terceira temporada de Elite foi a mais intensa e emotiva. O karma, ou, “tudo que vai volta”, foi o maior protagonista desta temporada. Agora nos resta saber, o que irá acontecer a partir de agora… novos alunos com certeza irão entrar, o que podemos esperar? A única certeza que temos é que quarta temporada já está confirmada.
E você, diz pra gente o que achou da nova temporada. As três temporadas de Elite estão disponíveis na Netflix.








