E mais uma vez Netflix traz em seu catálogo aquele tipo de filme que mexe com os adolescentes (e o seu adolescente interior, caso você já for um adultão). Baseado no best-seller de mesmo nome escrito por Jennifer Niven, “Por Lugares Incríveis” é dirigido por Brett Haley e estrelado por Elle Fanning e Justice Smith.
Contando a história de Violet Markey (Elle Fanning) e Theodore Finch (Justice Smith), dois adolescentes que têm suas vidas mudadas para sempre quando se conhecem. Juntos, eles se apoiam para curar os estigmas emocionais e físicos que adquiriram no passado.
A história de uma jovem triste e perdida encontrando alguém que desperte o melhor lado de si não é nada inovadora, só durante essa frase lembrei de mais outros 5 filmes que tem essa mesma dinâmica, no entanto trazer o debate sobre transtornos mentais no meio adolescente é extremamente necessário. A história consegue tirar um pouco esse tabu e proporcionar tal debate.

Elle Fanning não tem uma atuação excepcional, é mediana tal como sua personagem e o filme, mesmo assim Fanning consegue trazer a áurea depreciativa e triste que rodeia sua personagem no começo da história. Já Smith, conquista e cativa com toda complexidade de seu personagem que infelizmente não foi bem explorado.
Talvez um dos maiores pecados desse filme foi a pressa. Theodore Finch é um personagem com diversas camadas e precisaria de um tempo para o desenvolvimento e descoberta de cada uma delas, tudo nele no filme é corrido e ele acaba sendo na maior parte do tempo alguém engraçadinho e inconsequente que ajuda Violet a sair de seu casulo.
É tão apressado que quando Finch encontra seu destino o especatador, que não conhece a história, leva um susto. Não era esperado, e não digo de uma maneira positiva, não foi necessariamente construído um drama envolta de todos problemas que Finch passava, foi tudo muito raso e superficial, o que faz o espectador não viver a emoção necessária.
Todavia, o roteiro final, onde a protagonista recita seu monólogo de “liberdade” é extremamente arrebatador e emocional, sem dúvidas o ápice do filme. Toda a experiência e descoberta que aquela jovem adolescente viveu com suas perdas e ganhos é exposto através de um texto intenso, imersivo e íntimo, daqueles que deixa um nó na garganta.

A trilha sonora é outro grande ponto positivo do filme, a atmosfera calma, romântica, intensa e jovial permanece a todo momento quando os protagonistas dividem a tela, foi um grande fator que contribuiu para trazer mais verdade aqueles sentimentos foi as músicas escolhidas a dedo para o longa.
Tento não fazer comparações entre livro e filme mas em certos casos é impossível, ao fazer uma adaptação é necessário o cuidado primordial ao trabalhar com personagens de personalidades complexas, não é só um fanservice de uma cena que faltou mas sim o olhar crítico de uma história que foi contada pela metade.
“Por Lugares Incríveis” tinha de tudo para ser realmente incrível, mas infelizmente escolheu beirar a mediocridade. Não é um filme ruim, consegue emocionar e encantar mas deixa muito a desejar.