Se colocássemos em um recipiente: o jogo de tabuleiro ‘detetive’ + elementos de filmes de terror dos anos 60 resultaria no longa ‘Entre Facas e Segredos‘. Trazendo um elenco de peso com Chris Evans, Daniel Craig, Jaime Lee Curtis, Christopher Plummer e Michael Shannon, com a direção de Rian Johnson, o longa mistura mistério de um assassinato e um humor britânico pontual.
Para os mais antigos, ou aqueles que amam filmes clássicos, podem lembrar de um longa com a temática parecida. ‘Clue‘, longa de 1985 dirigido por Jonathan Lynn, porém o filme carrega um carga cômica maior do que o longa que vamos conversar sobre. Apesar do humor se fazer presente, o estilo ‘trapalhões’ não acontece no longa de Johnson,
Em ‘Entre Facas e Segredos‘, Harlan Thrombey (Christopher Plummer), um renomado escritor, é encontrado morto após sua festa de aniversário de 85 anos de idade. A investigação, que no começo tratava o caso como suicídio muda a perspectiva quando o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime.
A principio o que chama atenção é a nostalgia que o filme carrega ao trazer cortes de cenas e uma fotografia um tanto quanto clássica. Por exemplo, é possível notar uma certa inspiração com o longa ‘Janela Indiscreta‘, de Hitchcock, quando falamos da direção e da escolha do posicionamento de câmeras em cenas onde o suspense toma conta.
Além desse sentimentos nostálgico que toma conta, o filme consegue carregar consigo a sua originalidade ao trazer personagens com personalidades fortes e distintas e com uma história individual que se mantém interessante a todo o momento.
O roteiro consegue brincar com o espectador até o fim do longa. Quando você acha que conseguiu resolver o mistério na metade do filme ainda há mais segredos (e facas) a serem jogados em sua cara. A surpresa quando você se depara com um roteiro tão bem articulado e montado é inevitável, em tempos onde filmes costumam ter enredos preguiçosos e previsíveis, ‘Entre Facas e Segredos‘ consegue se destacar e trazer à modernidade a era de ouro do cinema.
Todo aquele charme de filmes investigativos e o humor que oscila entre sério e descontraído é a marca registrada do longa. E isso se dá graças a bela construção dos personagens conforme o quebra cabeça é montado.

Todos os atores tiveram um bom desempenho dentro dos seus respectivos papéis, mas foi Daniel Craig que surpreendeu ao trazer um detetive caricato com um ar literário (parecia ter saído de um livro com todo seu jeito de falar e se portar perante as testemunhas). Acabamos por nos acostumar vê-lo em papéis similares onde sempre o cobravam um personagem sério e dramático. Neste longa, Craig traz leveza para uma história que tende a ser um tanto quanto pesada, visto que há um assassinato (onde os suspeitos são a própria família!).
Vale também mencionar como Chris Evans se desvencilhou do papel de bom samaritano do Capitão América e trouxe um asqueroso riquinho mimado e babaca com louvor. O que eu, particularmente, estava com medo que ficássemos presos àquela imagem que Evans alimentou em 10 anos de MCU, o que é normal em sagas famosas (Harry Potter é um desses casos).
As 2 horas de filme passam num piscar de olhos, visto que ‘Entre Facas e Segredos‘ consegue manter o ritmo de surpresa e entretenimento lá em cima a todo o momento. O longa mesmo tendo essa temática “pesada” consegue ser para toda a família. Leve, cômico, misterioso e nostálgico, o filme é uma ótima surpresa e fecha o ano de 2019 com chave de ouro, podendo ser considerado na minha opinião como um dos melhores longas do ano.
‘Entre Facas e Segredos’ está em cartaz nos cinemas do Brasil.
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