Dentro de sua história Star Wars sempre falou de destino, e sobre lidar com as consequências dele. Bom talvez a vida não tenha imitado a arte tanto quanto agora.
Desde que iniciou essa nova trilogia, o diretor J.J. Abrams deixou claro que as minorias seriam mais valorizadas em Star Wars. Afinal a mensagem de Star Wars é a luta contra injustiças e a proteção de minorias. Acima de tudo Star Wars é a defesa da pluralidade universal.
Tinhamos uma ‘escolhida’ dessa vez. Diferente das outras duas trilogias, agora não só tinhamos uma mulher como destaque, mas um ator negro no trio principal. E Leia exercendo seu papel de mentora desses três.
Além de que tínhamos um novo Skywalker no papel de vilão, uma figura ‘melhorada’ por assim dizer, de Darth Vader, o grande vilão icônico da saga. Em todas as previsões de todos os sites tínhamos algo como certo. Cabia a Léia fazer o resgate de seu filho assim como Luke fez com seu pai. Era a vez da nossa princesa trazer alguém de volta do lado sombrio. Mas infelizmente perdemos Carry Fisher cedo demais. A atriz faleceu pouco depois de ter gravado algumas cenas do terceiro filme da nova saga Star Wars.

E aí vem o ponto onde quero chegar. É notório que a Morte de Carry afetou demais o desenrolar da história. Sem poder fazer o que planejara desde o início, J.J. Abrams teve que lidar com aquilo o destino o reservara.
Enchendo o terceiro filme de novos elementos, que não tiveram tempo bastante para se desenvolver. Como o imperador Palpatine por exemplo. Ele até poderia estar nos planos de J.J. porém foi mal introduzido dentro da história. Pode ser que isso seja explicado em alguma HQ futuramente como já foi feito outras vezes. Mas Palpatine é uma ponta solta dentro desse roteiro.
Falando um pouco mais sobre Palpatine. Ele se tornou um vilão mais genérico do que jamais foi. Se na trilogia clássica ele era uma figura ameaçadora que impunha medo, por ser tão misterioso. E na prequel ele era astuto, manipulador. Nessa nova trilogia ele se tornou tão previsível a ponto de contar todo seu plano para Rey, deixando claro o que ela tinha de fazer para evitar que o imperador vencesse. Mas apesar de tudo ele volta mais poderoso do que nunca. Com uma cena com efeitos especiais incríveis.

O filme voltou a ter um pouco da essência de Star Wars, quando o nosso novo trio de protagonistas viaja em uma missão em conjunto. Diferente dos outros filmes em que estavam quase sempre separados. Tendo como único elo de ligação Finn. Esse que novamente serve de ligação para estabelecer uma relação de Rey e Poe.

Ryse of Skywalker fez aquilo que mais temia acontecer com Star Wars. Tornou Star Wars genérico. Um filme genérico de aventura espacial, que daqui a alguns anos não ouviremos falar. Star Wars é épico, é uma história inspiradora. Suas frases são ensinamentos que podemos levar para a nossa vida. Mas esse filme não tem isso. Tem ótimos efeitos, cenas de luta com sabre de luz de tirar o fôlego, novos usos da força que nunca tinham sido explorados antes. Mas peca muito no roteiro previsível.
Esse é um ótimo filme. Um divertimento incrível para quem é fã de ficção científica. Tem ótimas cenas de ação e momentos que vão deixar o espectador preso a cadeira. Mas não é nem de longe o que um final de Star Wars merecia ser.
Talvez seja o excesso de espectativa ou apenas chatice minha. Mas eu me diverti demais vendo o filme, me emocionei com os momentos em que Carry Fisher aparece, e as decisões que o roteiro teve com ela honraram o legado da atriz para a franquia. Carry se despediu de Star Wars como a lenda que sempre foi. E por isso agradeço muito.

Dayse Ridley está muito bem no filme, você consegue se conectar com o drama de sua personagem, sofrer com ela, sorrir e ficar apreensivo quando parece que tudo vai dar errado. O esforço físico dos treinamentos que Dayse sempre fez em todos os filmes é notório e louvável. Sua personagem é sensacional em todos os filmes. E superior até a outros protagonistas das trilogias anteriores em vários aspectos.

Adam Driver, o Kylo Ren, atuou muito bem em todos os filmes, mostrando o conflito necessário que cabia ao personagem para justificar o rumo que ele tomou dentro da história. Kylo nunca esteve tão certo de que o lado sombrio era realmente seu lado. E seu final foi muito condizente com o que se esperava dele.

Star Wars encerra mais uma trilogia da maneira que não queríamos, abandonando muitos conceitos interessantes que foram abertos em The Last Jedi. Não conclui de forma épica, mas de forma aceitável. J.J Abrams tinha uma batata quente nas mãos. Concluir uma trilogia que vinha de um filme controverso, que dividiu opiniões entre os fãs. Sem uma peça principal dentro daquilo que tinha planejado. J.J. encerra essa trilogia de forma competente, mas não grandiosa, previsível, porém necessária. O encerramento desse novo ciclo não deixa pontas para uma nova saga. Mas coloca um ponto e vírgula nessa história que encanta multidões a mais de 40 anos.




